Estímulo Fiscal Global em 2026: Brasil Segue Tendência com Riscos e Desafios Eleitorais
Estímulo Fiscal Global em 2026: Brasil Segue com Riscos

Estímulo Fiscal Global em 2026: Brasil Segue Tendência com Riscos e Desafios Eleitorais

Enquanto economistas do mercado financeiro insistem em políticas de contenção fiscal, cenários pouco prováveis em anos eleitorais como 2026, análises de consultorias revelam uma tendência global oposta. Países ao redor do mundo continuam a estimular a demanda através da política fiscal, e o Brasil não deve ser exceção, embora enfrente desafios únicos relacionados ao calendário eleitoral e à sustentabilidade das contas públicas.

Visão da 4Intelligence: Crescimento Sustentado com Pressões Cambiais

A consultoria 4Intelligence destaca que, apesar dos riscos geopolíticos, como tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos e a Groenlândia, as expectativas macroeconômicas globais não mostram deterioração relevante. Nos Estados Unidos, um ritmo robusto de crescimento é mantido, apoiado por avanços em inteligência artificial e pelo impulso fiscal do governo Trump. União Europeia e Japão também implementam estímulos fiscais, projetando expansão econômica similar ou superior à de 2025.

Na China, medidas de estímulo fiscal e monetário são adotadas, mas a fragilidade da demanda interna mantém a economia em desaceleração moderada. Para o Brasil, o calendário eleitoral estimula a adoção de medidas para sustentar a demanda, especialmente o consumo, o que deve contribuir para um crescimento similar ao de 2025. No entanto, esse reforço tende a aumentar incertezas fiscais, pressionando o câmbio e ativos financeiros.

A 4Intelligence prevê um dólar a R$ 5,65, acima da mediana do mercado de R$ 5,50, e um IPCA de 4,4%, superior aos 4% esperados. Para a Selic, enxerga espaço para cortes a partir de março, mas com um ciclo mais irregular e lento, projetando a taxa em 12,50% ao final de 2026, contra 12,25% do mercado.

Visão do Santander: Impulso Fiscal como Motor do Crescimento

O Santander ressalta que o impulso fiscal deve sustentar a atividade econômica no Brasil em 2026, com um estímulo estimado entre 1,5% e 2,0% do PIB. Medidas como a isenção do imposto de renda para rendas de até R$ 5 mil mensais devem gerar cerca de 0,25% do PIB. A política fiscal se torna o principal motor, enquanto a política monetária permanece restritiva.

Entretanto, o efeito do estímulo pode ser limitado devido ao crédito mais restrito, hiato do produto menos favorável e incertezas do ano eleitoral, sugerindo multiplicadores menores que em anos anteriores. Riscos incluem uma desaceleração mais intensa da atividade, que poderia levar a um aumento do impulso fiscal, afetando a percepção de risco.

O Santander também destaca contribuições de entes subnacionais, como estados, com um impulso de 0,6% do PIB, e medidas como a PEC 66, que abre espaço de R$ 15 bilhões com menores pagamentos de precatórios. Empresas estatais podem apresentar déficit próximo de R$ 10 bilhões, conforme exceções na LDO 2026.

O Desafio da Dívida Pública e o Cenário Eleitoral

Desde o final de 2022 até novembro de 2025, a dívida bruta em relação ao PIB subiu 7,3 pontos percentuais, com perspectiva de alta continuada em 2026. O grande desafio será conter o crescimento real das despesas, que tem aumentado acima da inflação, e lidar com fatores menos favoráveis, como o deflator do PIB e operações de swap cambial. Mesmo com o arcabouço fiscal, a pressão altista sobre a dívida persiste, exigindo um ajuste fiscal de ao menos 2,5 pontos percentuais do PIB nos próximos anos.

No cenário eleitoral, o Santander prevê uma eleição presidencial competitiva em 2026, com eleitorado cauteloso. Pesquisas indicam preocupação significativa com o poder de compra, segurança pública e acesso a serviços essenciais. A disputa deve ter margens apertadas, similar às últimas eleições, com polarização que pode influenciar a taxa de comparecimento. Riscos incluem propostas que aumentam riscos fiscais devido à alta competitividade e menor previsibilidade.

Em resumo, o Brasil segue a tendência global de estímulo fiscal em 2026, mas enfrenta desafios como pressões cambiais, inflação elevada e incertezas eleitorais, que podem impactar a trajetória econômica e fiscal do país.