Ibovespa abre em alta com foco em balanços e agenda econômica intensa no Brasil e exterior
Ibovespa em alta com foco em balanços e agenda econômica

Ibovespa inicia semana com alta cautelosa em meio a agenda econômica intensa

O principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, abriu a sessão desta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, em terreno positivo, marcando 182.538 pontos. No entanto, o pregão é caracterizado por uma atmosfera de cautela e atenção redobrada por parte dos investidores, que se preparam para uma semana repleta de eventos econômicos significativos tanto no cenário doméstico quanto no internacional.

Agenda doméstica: retomada política e revisão de inflação

No Brasil, a semana começa com a retomada oficial dos trabalhos em importantes instituições. O Supremo Tribunal Federal (STF) dá início ao ano judiciário de 2026 às 14h, enquanto o Congresso Nacional realiza, às 15h, a sessão solene que marca a abertura do ano legislativo. Esses eventos políticos são acompanhados de perto pelo mercado, que avalia possíveis impactos na economia.

Em paralelo, o Banco Central divulgou nesta manhã o Boletim Focus, que mostrou uma nova revisão para baixo na projeção de inflação para 2026, agora estimada em 3,99%. Essa queda nas expectativas inflacionárias pode influenciar as decisões futuras de política monetária, embora a taxa Selic permaneça elevada, limitando a expansão de múltiplos no mercado acionário.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, destaca que, nesse contexto, a bolsa exige foco em fundamentos sólidos, dividendos e balanços corporativos robustos, com menor alavancagem. Ele enfatiza que o cenário atual favorece uma leitura tática, gestão de risco cuidadosa e seletividade na escolha de investimentos.

Desempenho setorial: bancos e varejo em destaque

No início do pregão, o setor bancário apresentou um movimento majoritariamente positivo. O Santander (SANB11) liderou os ganhos, com alta de 0,36%, seguido pelo Bradesco (BBDC4), que avançou 0,28%, e pelo Banco do Brasil (BBAS3), com leve valorização de 0,04%. O Itaú (ITUB4) foi a exceção, recuando 0,03%.

Já no segmento de varejo, o desempenho foi misto. As ações da Casas Bahia (BHIA3) lideraram as perdas, com queda de 1,55%, enquanto a Vivara (VIVA3) recuou 0,89%. Na ponta positiva, a C&A (CEAB3) subia 0,92% e a Arezzo (AZZA3) registrava alta de 0,30%, refletindo a volatilidade e a seletividade apontada pelos analistas.

Cenário internacional: mercados em queda e atenção a balanços

No exterior, os mercados acionários operam em queda nesta segunda-feira, após uma liquidação intensa no mercado de metais preciosos, que levou investidores a reduzir posições em outros ativos para cobrir possíveis perdas. O petróleo também recua, influenciado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre conversas com o Irã.

Operadores apontam que a pressão sobre fundos de futuros de prata na China ampliou as perdas da semana anterior, movimento intensificado pelo aumento das margens exigidas em diversos contratos futuros pela CME, incluindo prata e ouro. Essa volatilidade nos mercados globais contribui para o clima de cautela observado no Brasil.

Na agenda monetária internacional, o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra se reúnem na quinta-feira, embora a expectativa seja de manutenção das políticas atuais. No campo corporativo, os investidores acompanham atentamente os balanços de gigantes como Alphabet, Amazon e AMD, em busca dos primeiros sinais de retorno dos elevados investimentos em inteligência artificial.

Bruno Yamashita, analista de Alocação e Inteligência da Avenue, explica que o início da semana será pouco movimentado, mas a partir de quarta-feira os balanços de grandes empresas começam a ser divulgados. Ele acrescenta: "Além disso, na sexta-feira temos a divulgação do dado de payroll, que o mercado acompanha de perto, pois é um dos números mais relevantes para o Banco Central Americano na tomada de decisões de política monetária."

Indicadores financeiros em tempo real

Às 11h10, o dólar operava em 5,26 reais, enquanto em Wall Street os futuros indicavam recuos: o Dow Jones Futuro recuava 0,10%, o Nasdaq Futuro caía 0,65% e o S&P 500 Futuro registrava baixa de 0,45%. Esses movimentos reforçam a necessidade de vigilância por parte dos investidores brasileiros, que equilibram otimismo local com cautela global.

Em resumo, o Ibovespa inicia a semana com uma alta moderada, mas os olhos estão voltados para uma agenda econômica densa que inclui balanços corporativos, decisões de bancos centrais e indicadores chave, tanto no Brasil quanto no exterior, moldando os rumos do mercado financeiro nos próximos dias.