Vale a pena sair da CLT? Especialista calcula ganho necessário para ser autônomo
Sair da CLT: especialista calcula ganho necessário para ser autônomo

Compensação financeira: especialista calcula ganho necessário para sair da CLT

Para muitos trabalhadores, a transição da carteira assinada para a condição de autônomo ou Pessoa Jurídica (PJ) representa uma mudança significativa na carreira e nas finanças pessoais. No entanto, essa decisão deve ser cuidadosamente analisada, pois envolve a perda de uma série de benefícios garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O cálculo da equivalência: por que o ganho precisa ser maior?

De acordo com o planejador financeiro Jeff Patzlaff, apenas vale a pena, financeiramente, abandonar a segurança da CLT se o valor recebido como trabalhador autônomo ou PJ for, no mínimo, 40% a 50% maior que o salário bruto na carteira assinada. Essa diferença é necessária para compensar a ausência dos direitos trabalhistas e benefícios que o regime CLT oferece.

Patzlaff destaca que, na prática, é preciso somar todo o valor recebido anualmente como CLT, incluindo:

  • Salário mensal
  • Décimo terceiro salário
  • Férias, com o adicional de um terço
  • FGTS, que equivale a um depósito de 8% feito pelo empregador sobre o salário bruto
  • Benefícios como plano de saúde, vale-refeição e seguro de vida

Após essa soma, o total deve ser dividido por 12 para se chegar a um valor mensal equivalente. Como autônomo ou PJ, o ganho bruto não inclui esses benefícios, então é necessário calcular quanto custaria para contratar cada um desses itens por conta própria.

Despesas adicionais do trabalhador autônomo

Além da reconstrução dos benefícios, há outras despesas que o trabalhador com carteira assinada não enfrenta diretamente. Entre elas, destacam-se:

  1. Contador para gestão financeira e tributária
  2. Impostos, que variam de acordo com o enquadramento do CNPJ, mas normalmente ficam entre 6% e 15% do salário
  3. Contribuição ao INSS, que deve ser gerenciada pelo próprio trabalhador
  4. Uma reserva financeira para períodos de licenças, descanso e emergências

Esses custos adicionais elevam ainda mais o patamar necessário para que a transição seja financeiramente viável.

Exemplo prático: quanto ganhar para equivaler a um CLT de R$ 5 mil?

Para ilustrar a análise, Patzlaff apresenta um caso concreto. Se um trabalhador ganha R$ 5 mil na CLT, apenas valeria a pena virar PJ ou autônomo por R$ 7,5 mil somados à reserva de segurança. Considerando todos os fatores, o valor justo de equivalência ficaria entre R$ 8,5 mil e R$ 9 mil como PJ.

Essa diferença substancial evidencia a importância de um planejamento cuidadoso antes de tomar a decisão de se desligar da carteira assinada.

Contribuição ao INSS: diferenças entre CLT e autônomo

Outro aspecto crucial a ser considerado é a contribuição à Previdência Social. Para trabalhadores CLT, o desconto é progressivo na folha de pagamento, com alíquotas que variam de 7,5% a 14%, sendo feito diretamente pelo empregador.

Já como autônomo, o trabalhador deve gerar a própria Guia da Previdência Social (GPS). Existem dois planos principais:

  • Plano simplificado: paga-se 11% sobre o salário mínimo vigente, dando direito à aposentadoria apenas por idade e no valor de um salário mínimo.
  • Plano normal: o autônomo paga 20% sobre o valor que definir, respeitando piso e teto permitidos, o que permite aposentadoria com valor maior que o mínimo e considera o tempo de contribuição.

Além da aposentadoria, a contribuição regular ao INSS também assegura o acesso a benefícios previdenciários importantes, como auxílio por incapacidade temporária, salário-maternidade, pensão por morte, auxílio-reclusão e salário-família.

Portanto, a decisão de sair da CLT deve ser baseada em uma análise financeira detalhada, considerando não apenas o ganho imediato, mas também a reconstrução de toda a rede de proteção social que o regime trabalhista oferece.