O Banco Central (BC) acionou o facão e determinou a liquidação extrajudicial da CiabraSF, antiga Reag Trust DTVM, nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026. A medida, considerada extrema, resultou no congelamento dos fundos sob administração da companhia, que somam cerca de 352 bilhões de reais. A empresa, que foi vendida para a Planner no início deste mês, já recorreu à Justiça para tentar reverter a indisponibilidade de seus bens.
Medida drástica do BC e reação imediata
A decisão do Banco Central pegou o mercado de surpresa e representa um golpe severo na estrutura da CiabraSF. A liquidação extrajudicial é um processo administrativo onde o BC assume o controle para encerrar as atividades de uma instituição financeira, visando proteger credores e o sistema como um todo. Imediatamente após a publicação do decreto, os ativos sob gestão da empresa foram bloqueados.
Em resposta, a CiabraSF não perdeu tempo. A companhia informou que está adotando medidas judiciais e administrativas para levantar a indisponibilidade dos bens. A estratégia envolve contestar a legalidade ou a fundamentação do ato do BC perante os tribunais, enquanto busca diálogo com a autoridade monetária para uma solução administrativa.
Antiga Reag Trust e a venda recente
A empresa no centro da tempestade tem uma história recente de mudanças. Até pouco tempo atrás, ela operava sob o nome de Reag Trust DTVM. O controle do negócio foi transferido para o grupo Planner no início de janeiro de 2026, em uma operação que antecedeu em semanas a ação drástica do Banco Central.
A venda, no entanto, não foi suficiente para afastar a intervenção do regulador. O volume colossal de recursos envolvido – os R$ 352 bilhões em administração – coloca o caso em um patamar de grande relevância para a estabilidade financeira, justificando, na visão do BC, uma medida de tal envergadura.
Próximos passos e impacto no mercado
O desfecho dessa batalha entre a CiabraSF e o Banco Central é aguardado com apreensão pelo mercado financeiro. A decisão judicial que virá pode estabelecer um precedente importante para casos similares. Enquanto isso, os clientes e investidores ligados aos fundos administrados pela companhia ficam na expectativa sobre a liberação ou a destinação final desses recursos.
O episódio também joga luz sobre o rigor da fiscalização do BC em um período de instabilidade, reforçando o papel do órgão como supervisor do sistema financeiro nacional. A capacidade da CiabraSF de reverter a situação nos tribunais ou através de negociação será testada nas próximas semanas, definindo o futuro da empresa e o destino de um patrimônio equivalente a centenas de bilhões de reais.