Grupo Fribal investe R$ 40 milhões para transformar Maranhão em polo de carne premium
Fribal investe R$ 40 mi em carne premium no Maranhão

Paradoxo econômico: Maranhão se torna polo de carne premium com investimento milionário

Num cenário que desafia as estatísticas socioeconômicas brasileiras, o Grupo Fribal está realizando uma ousada aposta de R$ 40 milhões para transformar o Maranhão – estado com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país – em um polo de referência para o mercado de carne premium. A estratégia verticalizada da empresa familiar, que já domina 65% do mercado maranhense e 35% do nordestino, mira um faturamento ambicioso de R$ 4,5 bilhões em 2026, representando um crescimento de aproximadamente 20% em relação ao ano anterior.

Estratégia verticalizada: da fazenda ao açougue gourmet

A expansão da Fribal é construída sobre uma estrutura completamente integrada, que começa na Fazenda São João, em Campestre, interior do Maranhão. Esta propriedade de 850 hectares possui capacidade para confinar 40.000 cabeças de gado, com abate programado a partir dos vinte meses de criação. "A Fazenda São João é a base da nossa organização, onde cumprimos todos os protocolos sanitários para produzir uma carne de classe mundial", afirma Eugênio Gonçalves, gerente-geral da propriedade.

O controle total da cadeia produtiva permite à empresa garantir padrões de qualidade excepcionais, desde a criação do gado nelore até a apresentação final nos pontos de venda. Atualmente, o grupo opera mais de 400 pontos de venda, incluindo 210 açougues especializados, 62 lojas de bairro, supermercados, empórios e restaurantes distribuídos pelo Maranhão, Ceará e Piauí.

Mercado em transformação: São Luís e a demanda por qualidade

O movimento da Fribal ocorre em um contexto de amadurecimento acelerado do mercado consumidor maranhense. A capital São Luís, com cerca de 1 milhão de habitantes, tem testemunhado o crescimento de um público de maior poder aquisitivo, que busca não apenas produtos de qualidade superior, mas também experiências de compra diferenciadas. "Não é coincidência que tanto a Fribal quanto o Grupo Mateus tenham crescido em paralelo ao desenvolvimento do Porto do Itaqui e ao agronegócio na região do Matopiba", analisa Renato Avó, consultor especializado em comércio de alimentos.

Esta transformação econômica regional tem criado camadas de mercado que anteriormente não existiam, abrindo espaço para negócios sofisticados em uma região antes considerada improvável para este tipo de empreendimento. A rivalidade com o Grupo Mateus, maior varejista de alimentos do Nordeste, tem adicionado um elemento competitivo adicional ao cenário, com ambas as empresas contribuindo para a profissionalização do setor.

Cultura organizacional: formação interna e padrões rigorosos

Um dos pilares do sucesso da Fribal reside em sua cultura de formação interna. A empresa mantém uma escola própria para treinar açougueiros, gerentes e líderes, preferindo desenvolver talentos dentro de casa a contratar mão de obra externa. "Preferimos formar profissionais em casa do que trabalhar com mão de obra que já chega com vícios profissionais", explica Herbert Cutrim, responsável pela operação varejista de carne da empresa.

Dos aproximadamente 5.000 colaboradores do grupo, quase a totalidade passou por algum tipo de capacitação interna. Os padrões operacionais são seguidos rigorosamente em todas as etapas, desde o corte da carne – que segue técnicas específicas para garantir uniformidade – até o atendimento ao cliente nos pontos de venda.

Expansão contínua e visão de futuro

A trajetória da Fribal é marcada por uma sequência consistente de crescimento, com aumentos de dois dígitos no faturamento nos últimos três anos. Em 2025, a empresa inaugurou cinco açougues próprios, duas mercearias e um empório premium, além de lançar uma plataforma digital de vendas. Paralelamente, iniciou a estruturação de um novo centro de distribuição para ampliar sua capilaridade em todo o Nordeste.

Luiz Gustavo de Oliveira, CEO do grupo, deixa clara a direção estratégica: "Vamos aumentar o foco no varejo". Esta orientação é compartilhada por seu pai, Carlos Francisco de Oliveira, sócio-fundador que iniciou o negócio em 1986 com a abertura do primeiro açougue e que resume a filosofia empresarial familiar: "A empresa funciona ao nosso feitio".

A história da Fribal transcende o âmbito do sucesso empresarial isolado, demonstrando como o desenvolvimento econômico pode redefinir padrões de consumo e abrir novos mercados em regiões antes subestimadas. Enquanto o Maranhão continua enfrentando desafios socioeconômicos significativos, iniciativas como esta mostram que é possível construir pontes entre realidades aparentemente contraditórias, criando oportunidades onde antes pareciam inexistentes.