Mato Grosso se destaca no controle da dívida pública nacional
Assim como um trabalhador precisa equilibrar salário e despesas para evitar endividamento, os estados brasileiros também devem gerenciar suas finanças públicas com responsabilidade. Nesse aspecto, Mato Grosso conquistou a liderança nacional no controle da dívida em relação à arrecadação, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados 2024, publicado em 2025 pelo Centro de Liderança Pública (CLP).
Indicador fiscal que desconsidera receitas atípicas
O estudo avalia especificamente a sustentabilidade fiscal das unidades federativas, analisando a relação entre a dívida consolidada e a arrecadação recorrente, sem incluir receitas extraordinárias. A Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) comemorou publicamente esse resultado, destacando em comunicado que a conquista reflete uma política permanente de responsabilidade fiscal, planejamento rigoroso e controle eficiente dos gastos públicos.
"Mato Grosso mantém a dívida sob controle em relação à sua arrecadação estrutural. Isso é resultado de uma política permanente de responsabilidade fiscal, planejamento e controle do gasto público", afirmou a secretaria. Além disso, o estado obteve nota A+ em Capacidade de Pagamento (Capag) pela Secretaria do Tesouro Nacional em 2024, indicador que avalia:
- Níveis de endividamento
- Poupança corrente
- Liquidez financeira
Especialista questiona foco excessivo na solidez fiscal
Entretanto, o economista Carlos Castilho, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), alerta que o cenário fiscal favorável não se repete em outros indicadores econômicos, sociais e de segurança. Embora reconheça a eficiência na contenção de gastos e aumento da arrecadação, Castilho observa que, ao analisar o ranking completo pelos dez pilares avaliados, Mato Grosso ocupa apenas a décima posição geral.
"Portanto, há que se perguntar se não houve exagero nessa busca pela solidez fiscal a ponto de comprometer a eficiência na gestão pública e no ambiente econômico e social", questionou o especialista. Ele argumenta que a secretaria enaltece apenas um indicador dentro de um contexto mais amplo, enquanto outros índices apresentam resultados menos expressivos.
Desempenho em outros pilares do ranking
Os dados revelam uma disparidade significativa entre o excelente desempenho fiscal e as posições em outras áreas essenciais para o desenvolvimento estadual:
- 6ª posição nos pilares "Capital Humano" e "Eficiência da Máquina Pública"
- 9ª em "Sustentabilidade Social"
- 13ª em "Infraestrutura"
- 14ª em "Segurança Pública"
- 16ª em "Educação"
- 18ª em "Sustentabilidade Ambiental"
- 19ª em "Potencial de Mercado"
- 27ª em "Inovação"
Essas colocações demonstram que, enquanto Mato Grosso se destaca no equilíbrio das contas públicas, enfrenta desafios consideráveis em setores fundamentais como educação, segurança, inovação e sustentabilidade ambiental. O estado precisa, portanto, buscar um desenvolvimento mais equilibrado que combine responsabilidade fiscal com investimentos sociais e econômicos estratégicos.
