Israel avança no Líbano em nova escalada do conflito com Hezbollah
As tropas israelenses ocuparam novas posições no território libanês nesta terça-feira (3), ampliando significativamente a invasão terrestre iniciada em novembro de 2024. O movimento representa uma tentativa direta de conter os ataques do grupo extremista Hezbollah, que opera com apoio iraniano na região fronteiriça.
Declarações oficiais e ações militares
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, foi enfático ao afirmar que "atingiremos o Hezbollah com ainda mais força". Paralelamente, o ministro da Defesa, Israel Katz, confirmou que as forças israelenses assumiram o controle de "posições estratégicas adicionais no Líbano". O Exército já havia informado anteriormente que seus soldados estão posicionados em "vários pontos" do sul libanês, área crítica próxima à fronteira com Israel.
Nesta mesma terça-feira, a Força Aérea israelense realizou ataques contra lideranças do Hezbollah em Beirute, enquanto o grupo armado retaliou com bombardeios a posições militares israelenses. O conflito atingiu um novo patamar de intensidade quando o Exército israelense anunciou, na tarde de terça, ter eliminado o comandante no Líbano da Força Quds, braço externo da Guarda Revolucionária do Irã. Daoud Ali Zadeh foi morto em um ataque direcionado a Teerã, conforme comunicado das Forças Armadas de Israel.
Crise humanitária e deslocamento em massa
Os confrontos já provocaram uma grave crise humanitária no Líbano. Segundo dados oficiais de Beirute, os bombardeios israelenses mataram pelo menos 40 pessoas desde segunda-feira (2), incluindo sete crianças inocentes. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que pelo menos 30 mil libaneses tiveram que abandonar suas casas desde o início da guerra no sábado (28).
Babar Baloch, porta-voz do Acnur (agência da ONU para refugiados), descreveu uma situação dramática: "Muitas pessoas dormiram em seus carros, em acostamentos nas estradas, ou estão presas em engarrafamentos neste momento". Atualmente, o Acnur e o governo libanês operam 21 abrigos de emergência, mas o número real de deslocados provavelmente é muito maior do que os registros oficiais indicam.
Contexto regional e posicionamento libanês
O conflito atual se insere em uma guerra mais ampla que envolve Estados Unidos, Israel e Irã desde o último sábado (28), quando ataques coordenados mataram o líder supremo iraniano Ali Khamenei. Até o momento, os bombardeios americanos e israelenses causaram pelo menos 787 mortes no Irã, incluindo 153 crianças em uma escola atacada, segundo o Crescente Vermelho. Do lado oposto, ataques iranianos resultaram em 10 mortes em Israel e seis militares americanos em bases regionais.
No Líbano, as Forças Armadas nacionais se retiraram de posições próximas à fronteira em uma tentativa de evitar confrontos diretos com os israelenses, conforme revelou uma alta autoridade do governo à agência Reuters. Desde a derrota do Hezbollah na guerra de 2024 contra Israel, o Exército libanês tenta exercer controle militar sobre a região fronteiriça, historicamente utilizada pela milícia pró-Irã para ataques contra o país vizinho.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou na segunda-feira que não autorizou ataques a Israel, não apoia essas ações e está disposto a negociar com o país vizinho. Salam também baniu todas as atividades militares do Hezbollah e exigiu o desarmamento do grupo, que opera como um poder paralelo no país e já foi mais poderoso militarmente do que o próprio governo em Beirute.
A situação no Oriente Médio permanece extremamente volátil, com a expansão da invasão israelense no Líbano representando mais um capítulo perigoso em um conflito que continua a se espalhar pela região, trazendo consequências humanitárias devastadoras e incertezas sobre possíveis desdobramentos futuros.
