Corretor de imóveis narra experiências com OVNIs e abdução em Goiás
Goianos compartilharam com o g1 relatos vívidos de encontros com objetos e seres que acreditam ser de origem extraterrestre. Embora as circunstâncias variem significativamente, todos os depoentes mantêm uma convicção inabalável: viveram eventos reais, distantes de qualquer fantasia ou imaginação.
Experiências traumáticas de Miguel Ferreira
Aos 64 anos, o corretor de imóveis Miguel Ferreira descreve duas experiências marcantes ao longo da vida. A primeira ocorreu quando ele tinha apenas 14 anos, em Goiânia. Enquanto descia uma rua no Bairro Feliz com amigos durante o dia, testemunharam um disco voador cruzando o céu.
A segunda experiência, mais profunda e perturbadora, aconteceu quando Miguel tinha 18 anos. Acampando com amigos na Serra dos Pireneus, em Pirenópolis, ele decidiu caminhar sozinho durante a noite. O que se seguiu foi um evento que classifica como abdução.
"Estávamos no alto da serra. Tudo rústico, sem luz. E não havia celular naquela época. Eu saí para caminhar à noite. De repente, vi uma luz diferente. Vi uma nave espacial e um ser muito grande", relatou Miguel.
Durante a suposta abdução, o ser não se comunicou verbalmente, mas Miguel experimentou uma sensação de deslocamento extremamente rápido, como se estivesse sendo transportado para outro local. "Parecia um sonho. Foi algo sobrenatural. Eu guardei isso por muito tempo", confessou, admitindo que evitava falar sobre o assunto por medo de preconceito ou acusações de invenção.
A confirmação mais chocante veio quando reencontrou seus amigos: "Eles falaram que eu tinha sumido por mais de um dia. Ou seja, teve um lapso temporal. Eu creio. Eu fui abduzido".
Marcas no solo e comprovações
Miguel também documentou evidências físicas que considera provas de atividade extraterrestre. Em outubro do ano passado, enquanto passeava no Parque Ecológico de Paraúna, na Serra das Galés, próximo à Cachoeira do Desengano, avistou marcas circulares concêntricas no chão.
"Aqui é uma das comprovações do pouso de objetos voadores não identificados. Isso aqui, pelo que tudo demonstra, são as bases de apoio de aterrissagem dos OVNIs. Só não crê quem não quer", afirmou o corretor, que registrou o momento com a ajuda de turistas que o acompanhavam.
Contexto histórico dos relatos ufológicos em Goiás
João Oliveira Ramos, professor de história do Instituto Federal de Goiás, explica que relatos de contatos com supostos seres extraterrestres atravessam décadas em Goiás, misturando testemunhos populares com investigações independentes.
O caso mais emblemático do estado, segundo o historiador, ocorre em Alto Paraíso de Goiás, na região da Chapada dos Veadeiros, onde anualmente diversas pessoas afirmam avistar discos voadores. "Alto Paraíso surgiu da exploração mineradora e, com a exaustão dessa fonte, a economia do município se reinventou através do ecoturismo, que foi impulsionado pela migração de grupos esotéricos para a região a partir da década de 1980", contextualizou João.
Outro local de destaque na ufologia goiana é a Serra da Portaria, no Parque Estadual de Paraúna, onde além de relatos de objetos luminosos, existem formações rochosas circulares interpretadas por muitos como evidências de pousos de discos voadores.
Outros testemunhos contemporâneos
A cerca de 90 quilômetros de Alto Paraíso, em Cavalcante, a terapeuta natural Édina Marczal, de 50 anos, teve sua experiência mais intensa em outubro de 2025. Ela avistou várias "caneplas", uma espécie de drone extraterrestre, e percebeu o vulto de um objeto maior que parecia uma nave.
"No entorno dessas caneplas, deu para perceber nitidamente o vulto de um objeto muito maior. Parecia uma nave. A visão que tive desse vulto foi muito nítida", descreveu Édina, que afirma manter contato telepático com seres extraterrestres desde jovem, com episódios cada vez mais frequentes.
Em julho de 2024, Claudia Garcia Rodrigues, de 45 anos e chefe do departamento turístico de Paraúna, avistou luzes com movimentos estranhos no alto da Serra do Cristo por aproximadamente três minutos. "Para mim, foi algo muito forte. Naquele dia, a minha amiga estava bebendo, mas eu não, porque eu estava a trabalho. O movimento delas era muito rápido", relatou Claudia, que registrou o evento em vídeo.
A testemunha expressou sua crença na existência de vida extraterrestre: "Eu acredito muito em Deus. E acredito que ele não fez só a gente, aqui na Terra. Eu falo de seres mesmo. Uns mais evoluídos, outros menos evoluídos, com formações diferentes da nossa".
Registros históricos e envolvimento militar
O Arquivo Nacional do Brasil mantém um banco de dados com registros de OVNIs no país desde 1952. Até 2024, foram documentados 924 casos, sendo 34 relacionados ao termo "Goiás".
O primeiro registro goiano data de maio de 1969, quando um fotógrafo registrou um objeto semelhante a um disco voador enquanto descansava em sua fazenda na Cidade de Goiás. Sua esposa e dois funcionários também teriam testemunhado o fenômeno.
Na mesma época, em Jaraguá, a notícia de que um disco voador havia caído na zona rural causou grande alvoroço. Um lavrador chamado Paulo Alves Rezende teria visto o objeto decolar e cair a cerca de 500 metros de sua casa, levando moradores a organizarem grupos de busca e até o presidente da Câmara Municipal a se envolver nas investigações.
O historiador João Oliveira Ramos destaca que o período da Ditadura Militar (iniciada em 1964) foi crucial para a divulgação de relatos ufológicos pela imprensa. "Como havia censura e não havia liberdade para o jornalismo investigar denúncias contra o governo, o espaço dos jornais muitas vezes era preenchido com pautas sobre temas misteriosos, como aparição de discos voadores e fenômenos paranormais", explicou.
Casos emblemáticos analisados por ufólogo
O ufólogo Edison Boaventura Júnior cita um caso particularmente intrigante ocorrido em uma fazenda em Morrinhos, em maio de 1981. Um engenheiro relatou que seu pai viu um objeto escuro sobrevoar a propriedade por volta das 16h.
"Após ouvir um barulho, o objeto caiu no maior dos três açudes da fazenda. Na hora da queda, segundo ele, a água transbordou e ferveu. No dia seguinte, os peixes estavam todos mortos", contou Edison.
Na semana seguinte, outro filho do fazendeiro nadou no açude e morreu pouco tempo depois, com a causa oficial sendo leitada como leucemia. Após drenagem do açude, foi constatada uma perfuração circular de aproximadamente 20 metros de profundidade e 4 a 5 metros de diâmetro.
Uma equipe da base aérea de Anápolis foi chamada para investigar, mas militares determinaram o aterramento do açude devido à inviabilidade de esvaziar a fenda e retirar o objeto.
Perspectiva científica sobre OVNIs e vida extraterrestre
O astrônomo Manoel Alves Rodrigues, professor do Planetário da Universidade Federal de Goiás, explica que não há evidências conclusivas sobre vida extraterrestre, mas também não se pode afirmar categoricamente sua inexistência.
Ele menciona o Paradoxo de Fermi, formulado pelo físico italiano Enrico Fermi: "Se o universo é tão grande e antigo, onde está todo mundo?" Para dimensionar a questão, Manoel explica que o universo possui trilhões de galáxias, cada uma com 200 a 400 bilhões de estrelas, muitas com planetas orbitando ao redor.
"Portanto, a quantidade de planetas é imensa. Então, não é possível não ter vida em outro local. Mas a ciência ainda não tem isso definido", pondera o astrônomo.
Fenômenos naturais frequentemente confundidos com OVNIs
O professor Manoel lista várias ocorrências naturais e humanas que costumam ser interpretadas erroneamente como objetos voadores não identificados:
- Satélites artificiais: Pontos que cruzam o céu em linha reta sem piscar, incluindo os satélites Starlink que aparecem como trens de luzes
- Meteoros e bólidos: Corpos celestes que entram na atmosfera, aquecem e geram rastros luminosos no céu
- Planetas: Principalmente Vênus, visível com grande brilho no início da manhã ou final da tarde
- Aeronaves: Aviões com luzes vermelhas e verdes piscando
- Balões meteorológicos: Equipamentos soltos por institutos de meteorologia que inflam e muitas vezes estouram, descendo com paraquedas
O astrônomo conclui citando o renomado cientista Carl Sagan: "O que é mais assustador? A ideia de extraterrestres em mundos estranhos, ou a ideia de que, em todo este imenso universo, nós estamos sozinhos?" Uma reflexão que permanece tão relevante hoje quanto quando foi formulada.