Artistas usam Grammy 2026 para protestar contra ICE e política imigratória de Trump
Grammy 2026 vira palco de protesto contra ICE e Trump

Grammy 2026 se transforma em palco de protesto político contra políticas imigratórias

A cerimônia do Grammy 2026, realizada na noite de domingo (1º), foi marcada por um forte tom político, com diversos artistas utilizando a premiação para criticar abertamente as ações do ICE (Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) e a política imigratória do ex-presidente Donald Trump. O evento, tradicionalmente focado na celebração da música, ganhou contornos de manifestação coletiva, demonstrando o engajamento crescente da indústria musical em questões sociais urgentes.

Broches e discursos simbolizam movimento de resistência

Uma das imagens mais recorrentes da noite foi a presença do broche com os dizeres ICE OUT — que significa fora ICE — em diversas celebridades. Este acessório se tornou um símbolo visual unificador do protesto, aparecendo em artistas como Margo Price e servindo como ponto de partida para declarações contundentes durante os discursos de agradecimento.

Billie Eilish, ao receber o prêmio de Canção do Ano por Wildflower, foi uma das vozes mais enfáticas. A cantora repetiu uma frase comum nos protestos contra o ICE, afirmando: Ninguém está ilegal em terras roubadas. Ela complementou expressando um sentimento de esperança gerado pela mobilização dos colegas, mas também uma urgência na continuidade da luta. Eu me sinto muito esperançosa nesta sala, e sinto que precisamos continuar lutando, nos manifestando e protestando, e nossas vozes realmente importam, e as pessoas importam, declarou Eilish, finalizando com um contundente: Foda-se o ICE.

Bad Bunny protagoniza um dos momentos mais emocionantes da noite

Ao vencer o Grammy de Melhor Álbum de Música Urbana, Bad Bunny discursou de forma poderosa, pedindo o fim das ações do ICE e defendendo a humanidade dos imigrantes. Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas, somos humanos e somos americanos, afirmou o artista, em um apelo por empatia e reconhecimento. Seu discurso destacou o amor como antídoto para o ódio, ecoando um chamado por união e compreensão em um momento de divisão política.

O ódio se torna mais poderoso com mais ódio. A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor. Então, por favor, precisamos ser diferentes, concluiu Bad Bunny, arrancando aplausos da plateia e consolidando seu momento como um dos mais marcantes da cerimônia.

Outros artistas reforçam o apelo por união e justiça

Kehlani, vencedora de dois prêmios na categoria R&B por Folded, também usou seu espaço para incentivar uma postura unificada do setor musical. A artista destacou que a união fortalece a luta contra injustiças e pediu que seus colegas se engajassem ativamente, expressando a esperança de que toda a comunidade artística se mobilize em prol da causa.

Olivia Dean, ao ser premiada como Artista Revelação, trouxe uma perspectiva pessoal e familiar para o debate. Ela mencionou ser neta de uma imigrante, afirmando que sua trajetória existe graças à coragem de sua avó. Pessoas que vivem em processos migratórios merecem ser valorizadas, declarou Dean, conectando sua história individual à luta coletiva pelos direitos dos imigrantes.

Este conjunto de manifestações no Grammy 2026 ilustra como eventos culturais de grande visibilidade estão sendo cada vez mais utilizados como plataformas para discussões políticas e sociais, refletindo um momento de intensa polarização e ativismo nos Estados Unidos e além.