Vila Isabel celebra Heitor dos Prazeres em enredo que une samba, macumba e arte
A Unidos de Vila Isabel prepara uma homenagem emocionante para o Carnaval de 2026, com o enredo intitulado "Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África". A escola será a segunda a desfilar na terça-feira, dia 17 de fevereiro, com início previsto entre 23h20 e 23h30. O tema central gira em torno da vida e obra do multiartista Heitor dos Prazeres, explorando suas profundas conexões com o Rio de Janeiro, a rica cultura afro-brasileira e as raízes africanas.
Uma jornada que começa com o som do tambor
O enredo narra uma história que se inicia com o toque de um tambor, despertando o morro, enfeitando as ruas e convidando todos para a festa. Foi assim que Heitor dos Prazeres aprendeu a enxergar o mundo. Filho do povo, criado entre o morro e a cidade, ele cresceu imerso em cantos, rezas, sambas e macumbas. Para ele, esses elementos se fundiam em uma única expressão: música, fé e alegria inseparáveis.
Desde a infância, Heitor observava atentamente. Presenciava as pastoras cantando, os ranchos desfilando, os terreiros em movimento e o samba nascendo nos quintais. Todas essas memórias foram guardadas com carinho e, mais tarde, transformadas em som, cor e desenho. Ele costumava dizer que sonhava acordado, e era nesses sonhos que pintava, compunha e criava suas obras.
A influência da Pequena África e a formação artística
A casa de Tia Ciata, localizada na Pequena África da Praça Onze, foi uma de suas grandes escolas. Nesse espaço, o samba fervilhava junto com a macumba, e os tambores ensinavam por meio do toque. Heitor tornou-se ogã, tocador de atabaque, sambista e compositor, aprendendo que o samba tinha origens na macumba, que a roda era sagrada e que a rua também podia ser um terreiro.
Com o tempo, o menino se transformou em Mano Heitor do Cavaco, conhecido por sua elegância e gravata borboleta. Ele percorria a cidade tocando, cantando e compondo, fez parcerias com grandes nomes, ajudou a formar escolas de samba e esteve presente no nascimento do carnaval como o conhecemos hoje. Além de sambista, era um talentoso pintor, retratando em suas telas bailes, festas, terreiros, trabalhadores, malandros e crianças brincando – essencialmente, pintava o povo.
Rei do carnaval e legado internacional
No carnaval, Heitor também se consagrou como rei. Participou de concursos, venceu sambas e criou personagens inesquecíveis, como o Pierrô Apaixonado. Viveu a festa com intensidade, entre alegria e saudade, consciente de que tudo termina na quarta-feira, mas as memórias permanecem. Seu talento ultrapassou fronteiras, levando o samba, a macumba e a pintura para o mundo. Representou o Brasil em exposições, gravou discos, conheceu artistas internacionais e sempre retornou com orgulho, demonstrando que a arte do povo possuía valor, beleza e força.
É essa trajetória rica que a Vila Isabel pretende contar, destacando as muitas Áfricas que habitam dentro do samba. Um convite para sonhar, dançar e lembrar que, enquanto o tambor tocar, essa história nunca terá fim.
Detalhes do samba e ficha técnica
O samba-enredo, composto por Andre Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho, e interpretado por Tinga, celebra Heitor dos Prazeres com versos como "Macumba é samba, e o samba é macumba", reforçando a fusão cultural proposta. A ficha técnica da escola inclui:
- Fundação: 4 de abril de 1946
- Cores: Azul e Branco
- Presidente de Honra: Martinho da Vila
- Presidente: Luiz Guimarães
- Carnavalescos: Leonardo Bora e Gabriel Haddad
- Diretor de Carnaval: Moisés Carvalho
- Intérprete: Tinga
- Mestre de Bateria: Macaco Branco
- Rainha de Bateria: Sabrina Sato
- Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane
- Comissão de Frente: Alex Neoral e Márcio Jahú
Com Sabrina Sato como rainha de bateria, a Vila Isabel promete um desfile vibrante, honrando não apenas Heitor dos Prazeres, mas toda a herança cultural que ele representa.