Beija-Flor de Nilópolis transforma a Sapucaí em celebração do Bembé do Mercado em 2026
A Beija-Flor de Nilópolis está preparando um desfile histórico para o Carnaval de 2026, com o enredo Bembé do Mercado, uma festa tradicional de Candomblé que ocorre em Santo Amaro da Purificação, na Bahia. A escola será a segunda a se apresentar na segunda-feira, dia 16 de fevereiro, com início previsto entre 23h20 e 23h30, prometendo levar a maior celebração de Candomblé de rua do mundo para a Marquês de Sapucaí.
Origem e significado do Bembé: uma festa de resistência e fé
O Bembé do Mercado tem suas raízes há mais de um século, nascendo após o fim da escravidão como um ato de resistência e afirmação cultural. O povo preto, apesar de livre no papel, enfrentava a falta de proteção e direitos, e decidiu ocupar o espaço público com sua fé, música, comida e memória ancestral. Todo 13 de maio, em Santo Amaro da Purificação, o Largo do Mercado se transforma em um local sagrado, onde tambores ecoam ao amanhecer, anunciando a festa.
Durante o dia, o mercado vira um palco de manifestações culturais como samba de roda, capoeira, Maculelê e Nego Fugido, contando a história do Recôncavo Baiano. À noite, os atabaques chamam os orixás, criando um espaço de oração, dança e respeito à natureza. O momento mais aguardado é o cortejo que leva balaios azuis para Yemanjá e dourados para Oxum até o mar, como oferenda de agradecimento e proteção.
O desfile da Beija-Flor: ocupação, alegria e ancestralidade
Ao desfilar na Sapucaí, a Beija-Flor pretende recriar essa atmosfera única, transformando a Avenida em um mercado, rua e terreiro simultaneamente. O enredo enfatiza que ocupar o espaço, celebrar a fé e honrar os ancestrais são formas poderosas de resistência e continuidade, transmitidas com alegria, música e esperança. A escola busca mostrar como a cultura negra se mantém viva e vibrante, mesmo diante de adversidades históricas.
O samba-enredo, composto por autores como Sidney de Pilares e Marquinhos Beija-Flor, e interpretado por Ninno do Milênio e Jéssica Matin, reflete essa mensagem com versos que exaltam a liberdade e a ancestralidade. A letra canta: Não me peça pra calar minha verdade / Pois a nossa liberdade não depende de papel, reforçando o tema de resistência cultural.
Ficha técnica e detalhes da apresentação
Fundada em 25 de dezembro de 1948, a Beija-Flor carrega as cores azul e branco, sob a presidência de Almir Reis e a carnavalesca de João Vitor Araújo. A comissão de frente será comandada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon, enquanto a rainha de bateria, Lorena Raissa, e os mestres de bateria, Rodney e Plínio, garantirão o ritmo contagiante. O desfile promete ser um espetáculo visual e emocional, conectando o público à rica herança afro-brasileira.
Com esse enredo, a Beija-Flor não apenas entreterá, mas também educará sobre uma tradição pouco conhecida fora da Bahia, destacando a importância da preservação cultural e da diversidade religiosa no Brasil. A expectativa é que o desfile inspire reflexões sobre identidade, fé e comunidade, tornando-se um marco no Carnaval carioca.