Grammy 2026: Bad Bunny pode transformar premiação em ato político contra Trump
Grammy 2026: Bad Bunny pode ser vitória política latina

Grammy 2026: A premiação que pode se tornar um manifesto político

Enquanto os Estados Unidos enfrentam tensões sociais profundas após incidentes envolvendo imigrantes, a 68ª edição do Grammy Awards se prepara para uma cerimônia que pode transcender o universo musical. Marcada para domingo, 1 de fevereiro, a partir das 21h30, a premiação conta com presenças ilustres como Lady Gaga e Sabrina Carpenter, mas é o nome de Bad Bunny que carrega o peso de uma possível declaração política explosiva.

O contexto político que cerca a premiação

O assassinato de dois cidadãos de Minneapolis por agentes do serviço de imigração ICE criou um clima de tensão nacional que coloca o Grammy em posição delicada. Em meio a este cenário conturbado, a escolha do vencedor do Álbum do Ano ganha dimensões que vão muito além do mérito artístico.

Bad Bunny, cujo nome real é Benito Antonio Martínez Ocasio, emergiu como representante informal da comunidade latina nos Estados Unidos. Sua postura firme em relação às políticas de imigração transformou sua possível vitória em um símbolo de resistência.

A trajetória política do artista

O porto-riquenho demonstrou coerência entre discurso e prática quando, preocupado com a segurança dos imigrantes, se recusou a apresentar shows de sua turnê dentro dos Estados Unidos. O temor de que células do ICE cercassem os eventos para deter e deportar pessoas guiou esta decisão corajosa.

Sua oposição direta a Donald Trump alcançou proporções tão significativas que republicanos se manifestaram contra sua participação no Super Bowl 2026, marcado para 8 de fevereiro. Bad Bunny será o responsável pelo show do intervalo, contrariando abertamente as preferências do presidente.

Em entrevista ao New York Post, Trump classificou Benito e a banda Green Day, que fará o show de abertura, como "uma péssima escolha" que apenas "semeia ódio".

O álbum que virou manifesto

Debí Tirar Más Fotos, trabalho que rendeu a Bad Bunny o título de artista mais ouvido do Spotify em 2025, desbancando Taylor Swift, vai além do sucesso comercial. A faixa NuevaYol narra poeticamente o cotidiano de latinos na metrópole americana, enquanto o clipe lançado em julho de 2025 apresenta uma mensagem ainda mais contundente.

No vídeo, uma voz similar à de Trump declara: "Cometi um erro, quero me desculpar com os imigrantes na América. Eu estou nos Estados Unidos, sei que a América é o continente inteiro. Quero dizer que esse país é nada sem os imigrantes, é nada sem mexicanos, dominicanos, porto-riquenhos, colombianos, venezuelanos e cubanos".

O gesto simbólico de pendurar uma bandeira de Porto Rico na Estátua da Liberdade reforça a mensagem de pertencimento e resistência, lembrando que, apesar de ser uma ilha caribenha, o território é oficialmente parte dos Estados Unidos.

Os concorrentes e como acompanhar

Bad Bunny concorre em seis categorias do Grammy, mas é no páreo de Álbum do Ano que sua vitória teria maior impacto político. Seus concorrentes incluem nomes de peso como:

  • Sabrina Carpenter
  • Lady Gaga
  • Kendrick Lamar
  • Leon Thomas
  • Justin Bieber
  • Clipse, Pusha T e Malice
  • Tyler, The Creator

O público poderá acompanhar o evento ao vivo através de múltiplas plataformas:

  1. Streaming: HBO Max e Paramount+
  2. Televisão: Canal TNT, disponível na TV por assinatura

A cerimônia promete ser mais do que uma simples premiação musical. Em um momento de divisão nacional, o Grammy 2026 pode se transformar em palco para uma declaração política significativa, com Bad Bunny como protagonista de uma narrativa que une arte, identidade latina e resistência política.