Artista roraimense de 19 anos, imortal mais jovem da academia, vence prêmio nacional com obra sobre Davi Kopenawa
Artista roraimense de 19 anos vence prêmio nacional com obra sobre Kopenawa

Artista roraimense de 19 anos conquista prêmio nacional com obra dedicada a Davi Kopenawa

A jovem artista plástica Alícia Bianca, natural de Roraima e com apenas 19 anos de idade, acaba de ser agraciada com um prestigiado prêmio nacional por sua obra intitulada "A Ferida de Kopenawa". O quadro, pintado manualmente, é uma homenagem e reflexão sobre Davi Kopenawa, reconhecido xamã e um dos mais importantes líderes indígenas do Brasil. Alícia também detém o título de imortal mais jovem da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (Alaca), instituição sediada em Manaus.

Reconhecimento em concurso nacional

A obra premiada foi selecionada entre 19 produções no concurso "Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!", promovido pela organização internacional de direitos humanos Artigo 19. O resultado foi divulgado no dia 16 de fevereiro, e como reconhecimento, Alícia receberá a quantia de R$ 2 mil. O concurso abrangeu categorias de ilustração, charge, cartum e fotografia, destacando produções que dialogam com a realidade amazônica.

Um manifesto visual sobre resistência e impactos ambientais

Em entrevista, Alícia descreveu sua obra como um "profundo manifesto visual sobre a resistência amazônica e os impactos ambientais no território Yanomami". O quadro retrata Davi Kopenawa com elementos simbólicos: um coração em chamas representa as queimadas e a fumaça que assolam as terras indígenas, enquanto um olho lacrimejante simboliza a dor. As pinturas faciais com urucum completam a representação da luta dos povos originários.

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A técnica utilizada foi mista, empregando lápis de cor e marcador artístico, recursos desenvolvidos pela artista através de experimentação constante. "O objetivo foi provocar uma reflexão sobre os desafios climáticos em diálogo com a COP 30, colocando o sofrimento dos povos originários no centro do debate global", explicou Alícia.

Trajetória artística precoce e premiações

Artista autodidata, Alícia começou a desenhar aos 12 anos, utilizando o verso das folhas de um caderno de caligrafia dado pela avó. Atualmente, ela cursa Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Roraima (UFRR) e ocupa a cadeira número 329 da Alaca. Em apenas sete anos dedicados à arte, acumulou 19 premiações regionais, nacionais e internacionais, o que simbolicamente representa um prêmio para cada ano de vida.

Entre suas conquistas internacionais, destacam-se o primeiro lugar no concurso da Fédération Internationale des Véhicules Anciens (Fiva), em Torino, Itália, e o quinto lugar no concurso de ilustração A(R)RISCAR’21, em Portugal. Para Alícia, essas vitórias são mais que troféus: "São lembretes de que a arte produzida no extremo Norte do Brasil tem potência, tem voz e consegue dialogar com o mundo".

Inspiração nas raízes roraimenses

Alícia busca retratar Roraima em todas as suas obras, tendo criado aproximadamente 600 produções que homenageiam personalidades e elementos culturais do estado. Suas artes já ilustraram edições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em Roraima, além de livros de ficção e materiais editoriais. "Queria valorizar a minha região, porque ela é a minha principal fonte de inspiração. Quando viajo pelos lavrados de Roraima e vejo os buritizais, isso me inspira. É isso que quero mostrar por meio da arte", afirmou.

Davi Kopenawa: símbolo da luta indígena

Nascido por volta de 1955, Davi Kopenawa é xamã e porta-voz dos Yanomami, povo ameaçado principalmente pela exploração ilegal do garimpo de ouro. Há mais de três décadas, ele viaja pelo mundo defendendo os direitos dos povos indígenas, sendo apelidado de "Dalai Lama da Floresta Tropical". Sua atuação foi crucial para o reconhecimento oficial do território Yanomami na Amazônia em 1992, após quase dez anos de intensa luta.

A Terra Yanomami, maior território indígena do Brasil com quase 10 milhões de hectares entre Amazonas e Roraima, enfrenta invasões de garimpeiros há décadas. Nos últimos três anos, os reflexos dessa atividade ilegal têm impactado severamente a saúde, segurança, modo de vida e meio ambiente da região.

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