Nauta de Pégasus: primeira artista amapaense a publicar HQ em revista nacional
A cena dos quadrinhos brasileiros ganhou um marco histórico com a desenhista Nauta de Pégasus, que se tornou a primeira artista amapaense a publicar em uma revista de circulação nacional. O feito ocorreu com a obra 'Cabanagem', realizada em parceria com o renomado roteirista Gian Danton, e publicada na revista Calafrio. A conquista é especialmente simbólica, pois coincide com as celebrações do Dia do Quadrinho Nacional, comemorado nesta sexta-feira (30).
Uma conquista que surpreendeu a própria artista
Ao falar sobre a publicação, Nauta revelou que só percebeu a dimensão do feito quando teve a revista em mãos. "Eu não sabia que era a primeira desenhista amapaense a publicar. Estou impactada com essa notícia agora que tenho a revista em mãos", contou a artista, que expressou surpresa com o impacto imediato da realização. Ela destacou que inicialmente encarou o trabalho como mais uma colaboração com Gian Danton, mas rapidamente compreendeu o significado nacional do projeto.
O processo criativo e a parceria com Gian Danton
O processo de criação da HQ foi detalhado por Nauta, que explicou receber o roteiro de Gian Danton e, a partir dele, construir os quadros, definir os momentos de maior impacto e organizar a narrativa visual. "Os roteiros dele não são limitantes, me deixam à vontade para criar. Isso mostra a confiança que ele tem em mim, e fico feliz com isso", afirmou a desenhista. Gian Danton, por sua vez, elogiou o talento da parceira, lembrando que se impressionou com seu traço desde o primeiro contato. "Eu apaixonei pelo traço da Natália desde o primeiro momento. Ela une influência do mangá com características regionais e consegue ser inovadora na diagramação", destacou o roteirista.
Reflexão sobre a representatividade regional
Apesar da alegria com a conquista inédita, Nauta refletiu sobre a ausência de outros artistas locais em revistas nacionais. Ela destacou conhecer quadrinhistas e ilustradores experientes e talentosos no Amapá que nunca tiveram a mesma oportunidade. "Conheço quadrinhistas e ilustradores incríveis aqui do estado. Por que eu sou a primeira, sendo que eles têm mais bagagem? Isso diz muito sobre como nós, nortistas e amapaenses, somos vistos fora da região", questionou a artista, levantando uma importante discussão sobre representatividade e acesso no mercado editorial brasileiro.
Detalhes da obra 'Cabanagem'
A história 'Cabanagem' apresenta o protagonista Chico Patuá, um cabano que foge da repressão no Pará e segue em direção ao Amapá. Durante sua jornada, ele recebe ajuda de entidades místicas como o Curupira, a Matinta Pereira e a Cobra Grande. Algumas dessas lendas, porém, se alinham à repressão, criando um novo conflito: uma guerra entre humanos e seres sobrenaturais. A obra combina elementos históricos da região Norte com o imaginário folclórico brasileiro, resultando em uma narrativa rica e visualmente impactante.
Contexto histórico do Dia do Quadrinho Nacional
A data de 30 de agosto foi instituída como Dia do Quadrinho Nacional em 1984 pela Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-SP). A escolha marca a publicação da primeira HQ brasileira, "As Aventuras de Nhô-Quim", de Angelo Agostini, em 1869. A conquista de Nauta de Pégasus ganha ainda mais relevância neste contexto, simbolizando a expansão da produção de quadrinhos para além dos centros tradicionais do país.
Trajetória anterior e perspectivas futuras
Antes dessa publicação nacional, Nauta já havia ilustrado histórias para a revista AP Quadrinhos – Causas do Meio do Mundo, incluindo uma versão do conto João e Maria. No entanto, ela reconhece que nunca tinha trabalhado em uma obra com alcance nacional. Gian Danton acredita que esta publicação é apenas o início de uma série de reconhecimentos para a artista. "Publicar em revista nacional é só o começo de uma série de reconhecimentos", projetou o roteirista, que também detalhou como funciona a produção de HQs no Brasil, desde o roteiro quadro a quadro até a arte final, muitas vezes em preto e branco por questões econômicas.