A AppleTV+ tem consolidado sua reputação como um serviço de streaming de alta qualidade, frequentemente comparado à HBO por sua curadoria de produções originais. A plataforma, que não compete diretamente com os gigantes do setor, tem apostado em narrativas distintas e voltadas para um público mais maduro, encontrando um nicho valioso no mercado.
O fenômeno ‘Pluribus’ e seu impacto
Um exemplo emblemático dessa estratégia é a série ‘Pluribus’, criada por Vince Gilligan, o renomado showrunner por trás de sucessos como ‘Breaking Bad’ e produtor de ‘Better Call Saul’. A produção, que mistura elementos de ficção científica, drama psicológico e um toque de humor negro, rapidamente se tornou a série de maior sucesso na história da AppleTV+.
Uma premissa intrigante e única
A trama acompanha Carol Sturka, interpretada de forma brilhante pela atriz Rhea Seehorn. Carol é uma escritora de romances juvenis que se vê imune a um fenômeno global inexplicável: a humanidade passa a compartilhar pensamentos e sentimentos em uma consciência coletiva, resultando em uma sociedade onde todos se tornam gentis e agradáveis de maneira quase artificial.
Enquanto o mundo se transforma em um lugar de sinceridade e transparência absolutas, Carol, que não foi afetada pelo misterioso vírus alienígena responsável pela mudança, se torna uma das apenas treze pessoas no planeta a manter sua individualidade. Sua condição única a coloca em situações bizarras, já que os outros indivíduos não conseguem mentir ou esconder emoções, atendendo a todos os seus pedidos com uma obediência perturbadora.
Explorando temas profundos
A primeira temporada, composta por nove episódios, apresenta um universo onde a felicidade é regulada como um sistema, criando uma existência monótona e sem graça. Carol inicialmente tenta fugir dessa realidade, mas o isolamento a afeta negativamente. Com o tempo, ela começa a desfrutar de sua condição peculiar e inicia uma investigação sobre como as pessoas vivem e se alimentam nesse novo mundo, descobrindo segredos sombrios que remetem ao filme clássico ‘Soylent Green’, de 1973.
A série se destaca por sua estranheza narrativa, muitas vezes lembrando os episódios da antológica ‘The Twilight Zone’. ‘Pluribus’ coloca em debate questões fundamentais como o livre-arbítrio e a autenticidade humana, criando um conflito central que ressoa com o público. Embora alguns momentos possam parecer lentos, a construção do enigma mantém o espectador engajado.
Reconhecimento e futuro da produção
O sucesso de ‘Pluribus’ foi coroado com um Globo de Ouro para Rhea Seehorn, que carrega a série nas costas com uma atuação praticamente solitária em muitas cenas. A atriz demonstra um desempenho excepcional, sustentando a narrativa com maestria.
Apesar do impacto positivo, a primeira temporada termina sem uma conclusão definitiva, deixando os fãs ansiosos pela continuação, prevista apenas para 2027. Essa expectativa só aumenta o interesse em torno da produção, que já se firmou como um marco na programação da AppleTV+.
Outras novidades no mundo do streaming
Enquanto ‘Pluribus’ domina as conversas, outras plataformas também anunciam lançamentos importantes:
- AppleTV+ teve seis indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme para ‘F1 - O Filme’, além de indicações em categorias técnicas. A quinta temporada de ‘For All Mankind’ estreia em 27 de março, com dez episódios que exploram tensões entre Marte e a Terra.
- Prime Video confirmou a estreia de ‘Elle’, série prequel de ‘Legalmente Loura’, para 1º de julho, com segunda temporada já encomendada. A plataforma também lançará a série de suspense ‘56 Dias’ em 18 de fevereiro.
- Disney+ anunciou ‘The Testaments’, baseada no romance de Margaret Atwood, para 8 de abril, continuando o universo de ‘O Conto da Aia’. O filme ‘Imperfeitamente Perfeita’ chega à plataforma em 5 de fevereiro, sem passagem pelos cinemas brasileiros.
O cenário do streaming continua em constante evolução, com produções como ‘Pluribus’ demonstrando que há espaço para narrativas ousadas e reflexivas, capazes de cativar audiências e conquistar reconhecimento crítico.