Curitibano transforma paixão de infância em coleção com mais de 100 luminárias públicas
Curitibano coleciona mais de 100 luminárias públicas

Um objeto comum que passa despercebido no cotidiano de muitos se tornou uma fonte de fascínio para o curitibano Gabriel Nazário, de 23 anos. Desde a infância, ele observava postes, desenhava luminárias e criava maquetes improvisadas com lâmpadas de pisca-pisca. Anos mais tarde, essa curiosidade evoluiu para uma coleção extraordinária, composta por mais de 100 luminárias públicas, que ajudam a narrar a história da iluminação urbana de Curitiba e do estado do Paraná.

O início de uma paixão

Segundo Gabriel, a primeira peça de sua coleção chegou em 5 de outubro de 2012, apenas dois dias antes de seu aniversário de 11 anos. Naquele dia, ao retornar da escola no bairro Santa Cândida, ele notou um caminhão da prefeitura realizando a troca da iluminação na região. "Cheguei em casa e chamei minha mãe. Fomos atrás do caminhão e conseguimos encontrá-lo. Ao chegar lá, pedi uma luminária e eles me deram, foi quase um presente de aniversário", relembra. Esse momento marcou o início de uma coleção que hoje ocupa quartos, garagem e até o quintal de sua casa, onde ele adaptou um espaço para testar as peças.

Uma coleção que atravessa décadas

O acervo de Gabriel conta com 105 luminárias de tamanhos variados, desde modelos que cabem na palma da mão até aqueles com cerca de um metro de altura. Atualmente residindo em Rebouças, na região central do Paraná, metade da coleção está em sua casa, enquanto a outra parte permanece na residência de seus pais em Curitiba. Entre as peças mais antigas, destaca-se a X-19, utilizada nas primeiras vias exclusivas para ônibus da capital paranaense, muito antes da introdução dos ônibus biarticulados. Ele também preserva quatro modelos da década de 1970, instalados durante a inauguração da canaleta de ônibus da Avenida Paraná.

A peça favorita

A luminária preferida de Gabriel é o modelo LMP-48. Entre 1993 e 1994, foram fabricadas 25 mil unidades exclusivamente para Curitiba, iluminando canaletas e vias rápidas. "Essa pra mim é a mais especial de todas, foi o modelo que eu sempre quis desde pequeno", comenta. Além disso, sua coleção inclui peças extremamente raras, como uma luminária republicana proveniente da Holanda, de 2009, da qual existem apenas quatro unidades em todo o Brasil.

Aquisição e restauração

As luminárias chegam até Gabriel por meio de diversas formas, incluindo doações de prefeituras, empresas fabricantes, companhias responsáveis pela retirada dos equipamentos e compras realizadas pela internet. Ele enfatiza que todas as peças são legalizadas e relata que, em um caso específico, o processo de doação levou quatro meses para ser concluído, após a abertura de um protocolo em uma cidade da Região Metropolitana de Curitiba. "Não subi em poste nenhum para pegar", brinca.

Os valores das peças variam significativamente. A luminária mais cara adquirida por Gabriel custou cerca de R$ 300, vinda do Rio Grande do Sul, mas ele ressalta que existem peças raríssimas em seu acervo, com uma delas chegando a custar R$ 5 mil ao antigo proprietário. Muitas luminárias chegam sujas e enferrujadas após anos de exposição ao tempo, exigindo um meticuloso processo de restauração. Gabriel realiza a limpeza química, troca de fios, recuperação do refrator e do bocal, mantendo ao máximo as características originais, com a ajuda de seu namorado.

A 'Rua Lump'

No quintal de sua casa, Gabriel criou a "Rua Lump", uma área com dois postes onde ele testa e combina diferentes modelos de luminárias. A ideia é recriar como eram as ruas de Curitiba em diversas épocas, misturando nostalgia e memória urbana. As luminárias geralmente ficam instaladas por poucos dias, principalmente durante gravações para redes sociais, pois Gabriel é "ciumento" com suas peças e prefere não deixá-las expostas por longos períodos.

Expansão da coleção

A coleção de Gabriel vai além das luminárias, incluindo componentes essenciais como lâmpadas de vapor de mercúrio, vapor de sódio, vapor metálico e LED, além de reatores, relés, anguladores e perfucones. Esses detalhes permitem compreender a evolução da iluminação pública ao longo do tempo. Apesar de já possuir mais de 100 peças, a coleção ainda não está completa. Faltam dois modelos considerados os mais raros, utilizados em Curitiba desde a década de 1970 até os anos 1990: a Luminária HRP-586, da qual existe apenas uma unidade na cidade, e a luminária X-150, encontrada na Avenida Tupi, em Pato Branco, mas que também foi empregada na capital paranaense.