PMs são investigados por agressão e exigência de senha de celular em abordagem
PMs investigados por agressão e exigir senha de celular

A Polícia Militar do Estado de São Paulo abriu um inquérito para investigar a conduta de dois de seus soldados. Os policiais são suspeitos de agredir um homem e exigir a senha do celular dele durante uma abordagem realizada no interior paulista. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-SP).

Detalhes da operação e das agressões

O caso aconteceu no dia 17 de dezembro de 2025, durante uma operação de combate ao tráfico de drogas no município de Cândido Mota. Imagens obtidas pelo g1 mostram o momento em que um homem de 24 anos, já detido, é pressionado a informar a senha do seu aparelho celular. Nos vídeos, é possível ouvir o suspeito gemendo de dor enquanto supostamente leva chutes dos policiais.

Ao perceberem que estavam sendo filmados por um morador, os PMs reagiram com xingamentos e ameaças contra quem fazia a gravação. Os militares envolvidos foram identificados como Eduardo Jamarino Serraglio e Renan Pereira Rodrigues. A PM informou que instaurou um procedimento interno para apurar todas as circunstâncias da ocorrência.

Discrepância entre as versões

De acordo com o boletim de ocorrência, a ação policial começou após uma denúncia anônima sobre tráfico em um bar na Rua dos Apóstolos. O suspeito teria fugido ao avistar a viatura, pulando muros, até ser alcançado. O registro oficial menciona apenas o "emprego de força moderada para a utilização de algemas" e que o homem foi hospitalizado por "escoriações decorrentes da fuga".

Com o indivíduo, foram apreendidos 147 pinos de cocaína, somando pouco mais de 100 gramas, além de R$ 80 em dinheiro e um telefone celular. Para acessar o conteúdo do aparelho, a polícia solicitou posteriormente uma autorização judicial para quebra de sigilo. É importante destacar que, no momento da abordagem, não havia uma ordem judicial que permitisse o acesso ao celular do suspeito.

Andamento do caso e posicionamento das autoridades

Após a prisão, o homem foi levado para o pronto-socorro e, depois, ao plantão policial de Assis, cidade vizinha a Cândido Mota. Ele teve a prisão em flagrante decretada e, posteriormente, convertida em preventiva, permanecendo preso.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que apura "todas as circunstâncias dos fatos para adoção das medidas cabíveis". A pasta reforçou que "não compactua com excessos" e que pune com rigor qualquer desvio de conduta por parte de seus agentes.

O caso levanta novamente debates sobre os limites da atuação policial, o respeito aos procedimentos legais durante abordagens e a importância de supervisionar o poder conferido aos agentes de segurança pública.