Morte de ativista cultural Moisés Alencastro: polícia prende dois suspeitos em Rio Branco
Ativista cultural é assassinado a facadas em Rio Branco

A morte violenta do ativista cultural, colunista social e servidor público Moisés Ferreira Alencastro e Souza, de 59 anos, causou comoção em Rio Branco e em todo o meio cultural do Acre. O corpo foi encontrado no interior do apartamento onde residia, no bairro Morada do Sol, na noite de segunda-feira, dia 22 de dezembro.

Detalhes do crime e descoberta do corpo

Moisés Alencastro foi vítima de múltiplos golpes de faca. A avaliação preliminar da polícia apontou mais de cinco perfurações no corpo, que foi encontrado deitado sobre a cama. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou o óbito no local.

A Polícia Militar isolou o apartamento e o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). De acordo com a Polícia Civil, a rigidez cadavérica era compatível com 18 a 20 horas de morte, indicando que o crime ocorreu na noite de domingo, 21 de dezembro, data em que a vítima foi vista pela última vez.

Quem era a vítima e a linha de investigação

Moisés Alencastro era uma figura conhecida e respeitada. Advogado licenciado, jornalista e servidor do Ministério Público do Acre desde 2006, atuava no Centro de Atendimento à Vítima (CAV). Era um defensor ferrenho da cultura acreana, com participação ativa no Conselho Estadual de Cultura, onde articulava diálogos entre artistas, produtores e o poder público. Também se identificava como ativista LGBTQIA+.

A investigação, inicialmente tratada como possível latrocínio, mudou de rumo. A ausência de sinais de arrombamento levou a polícia a crer que Moisés conhecia os agressores e permitiu sua entrada. A principal hipótese agora é de homicídio qualificado seguido de furto. "A dinâmica indicou que a morte ocorreu primeiro e, depois, houve o aproveitamento da situação para levar os bens", explicou o delegado Alcino Júnior, da DHPP.

Prisão dos suspeitos e desdobramentos

Dois homens foram presos pela Polícia Civil acusados do crime:

  • Antônio de Sousa Morais, de 22 anos, preso na manhã de quinta-feira, 25 de dezembro, após ficar foragido por quatro dias.
  • Nataniel Oliveira de Lima, de 23 anos, detido no final da tarde do mesmo dia, no bairro Eldorado.

Os peritos e elementos colhidos no local do crime sugerem a participação de mais de uma pessoa. Com os suspeitos, foram encontrados objetos de Moisés, como documentos pessoais, controles do carro e do apartamento, além de roupas com manchas de sangue.

O carro da vítima, um Fiat Palio, foi localizado abandonado na Estrada do Quixadá, com um pneu estourado e o porta-malas aberto. Há ainda indícios de tentativa de uso dos cartões bancários de Moisés após o crime, mas as transações foram negadas.

Os dois suspeitos passaram por audiência de custódia na sexta-feira, 26 de dezembro, e tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Eles foram encaminhados ao Complexo Penitenciário Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco, onde aguardam o andamento das investigações.

O caso, que chocou a comunidade local, segue sob apuração da DHPP, que trabalha para esclarecer a dinâmica completa do crime e o grau de envolvimento de cada um dos detidos.