Uma mulher de 38 anos sofreu uma lesão irreversível na coluna e não deve voltar a andar após ser baleada três vezes pelo ex-marido na manhã da última sexta-feira (2), em Limeira, no interior de São Paulo. O crime, classificado como tentativa de feminicídio, ocorreu na frente da filha do casal, de apenas 5 anos, e deixou a vítima em estado grave.
Detalhes do crime e prisão em flagrante
O agressor, identificado como Luciano Aparecido Andrade, de 44 anos, foi preso em flagrante pouco depois do ocorrido. Segundo informações da polícia, o casal, separado há cerca de três anos, estava dentro de um carro no bairro Parque Hipólito, junto com a criança e uma cunhada da vítima. Uma discussão teria se iniciado, e o homem, que não aceitava o fim do relacionamento, sacou um revólver calibre .38.
O primeiro disparo atingiu o rosto da mulher, na região da boca e do maxilar. Ao tentar fugir do veículo, ela foi alvejada novamente, com um tiro nas costas que atingiu a coluna lombar. A cunhada, que tentou intervir segurando a arma, levou um tiro de raspão nas mãos. O homem fugiu do local, mas foi localizado e preso pela Guarda Civil Municipal em uma área verde do Jardim Hipólito.
Condição grave e sequela irreversível
A vítima foi socorrida pelo Samu e internada em estado grave na Santa Casa de Limeira. De acordo com a irmã da mulher, que conversou com a equipe médica no sábado (3), o tiro nas costas cortou a medula espinhal, causando uma lesão irreversível. "A bala acertou a lombar, cortou a medula espinhal dela, então, segundo ele [o médico], é irreversível, ela não vai andar", relatou.
Os outros dois tiros não atingiram órgãos vitais. O estado geral de saúde da mulher é considerado estável, e ela não corre mais risco de vida. As balas permanecem alojadas no corpo, e a possibilidade de cirurgias de reconstrução será avaliada posteriormente. A família informou que ela já apresentou sinais de consciência, mas segue sob observação médica.
Atendimento à criança e investigações
A filha do casal, que presenciou toda a agressão, foi atendida por equipes especializadas. A criança recebeu acompanhamento da Patrulha Maria da Penha e terá suporte do Conselho Tutelar. O local do crime foi isolado e preservado para a coleta de provas pela Guarda Civil, e a arma utilizada no ataque foi apreendida.
O caso segue sob investigação, e Luciano Aparecido Andrade permanece preso, respondendo pela tentativa de feminicídio. A tragédia reforça o alarme sobre a violência doméstica e os riscos enfrentados por mulheres no período pós-separação.