A trajetória de dedicação da Irmã Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante à proteção de crianças e adolescentes no arquipélago do Marajó foi interrompida tragicamente no último fim de semana. A ativista, reconhecida nacionalmente por sua luta contra o tráfico humano e a exploração sexual infantil, faleceu em um acidente de carro na Paraíba. O corpo da religiosa chegou a Belém na noite de domingo, 11 de fevereiro, transportado pelo Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp).
Detalhes do acidente na BR-230
O capotamento que vitimou a Irmã Henriqueta ocorreu na noite de sábado, 10 de fevereiro, na BR-230, no distrito de Galante, em Campina Grande, no estado da Paraíba. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo em que ela estava, com mais três ocupantes, saiu da pista e capotou. A religiosa, que viajava no banco traseiro, não resistiu aos ferimentos e foi a vítima fatal do sinistro.
Os outros três ocupantes, incluindo um policial federal, foram socorridos e levados para o Hospital de Trauma de Campina Grande. A unidade de saúde informou, via boletim médico, que todos passaram por exames e procedimentos de urgência e, posteriormente, receberam alta.
Uma vida dedicada à defesa dos vulneráveis
A Irmã Henriqueta era uma defensora de direitos humanos e ativista desde 2009, tornando-se um dos principais símbolos da resistência contra as redes de exploração no Marajó. Seu trabalho árduo e perigoso a colocou em situação de risco constante, fazendo com que ela integrasse o programa de proteção a defensores de direitos humanos há mais de dez anos, devido às repetidas ameaças de morte que recebia.
Em novembro de 2025, sua relevância foi reconhecida com o prêmio "Mulheres Inspiradoras do Ano", em uma edição especial dedicada à Amazônia. Ela e o bispo Dom Azcona, já falecido, formavam uma dupla icônica na região, representando a voz daqueles que muitas vezes não são ouvidos.
Repercussão e homenagens póstumas
A comoção com a notícia de sua morte foi imediata e ampla. O governo do estado do Pará decretou luto oficial de três dias. O governador Helder Barbalho (MDB) manifestou, em suas redes sociais, profunda tristeza com o falecimento. O Instituto Dom Azcona, em nota, lamentou a perda e afirmou: "Irmã Henriqueta certamente está em paz na luz eterna, junto ao amado bispo Dom Azcona".
A atriz Dira Paes, que interpretou uma delegada inspirada na religiosa no filme "Manas", também se despediu publicamente. "Me despeço da minha amiga Irmã Henriqueta, uma heroína brasileira que dedicou sua vida em defesa dos direitos das crianças e adolescentes", escreveu ela, destacando o abraço afável e a força inspiradora da ativista.
O corpo da Irmã Henriqueta será velado na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), em Belém. Na segunda-feira, 12 de fevereiro, por volta das 8h, o corpo seguirá para Soure, no Marajó, a bordo de uma aeronave do Graesp. Lá, uma missa será presidida por dom Ionilton, bispo do Marajó, antes do sepultamento, encerrando a jornada terrestre de uma das maiores defensoras dos direitos humanos na Amazônia.