Irã: 48 mortes em protestos denunciadas por direitos humanos
48 mortes em protestos no Irã, denunciam ONGs

Uma nova e violenta onda de protestos abala o Irã, com organizações de direitos humanos denunciando a morte de ao menos 48 manifestantes em confrontos com as forças de segurança. Os protestos, que começaram em 28 de dezembro, representam uma das maiores mobilizações populares da história recente do país, alcançando todas as suas 31 províncias.

Origens e Escala da Crise

O estopim inicial foi a grave crise econômica e o colapso da moeda nacional, mas o movimento rapidamente evoluiu para críticas diretas ao governo. A dimensão dos protestos é evidenciada por vídeos amplamente divulgados nas redes sociais, que mostram multidões nas ruas da capital, Teerã. A verificação independente das imagens, no entanto, é dificultada pelas severas restrições à imprensa e pelo corte da internet e das linhas telefônicas imposto pelo governo.

Repressão Violenta e Reações Internacionais

A resposta do regime aos protestos tem sido marcada por uma repressão considerada extremamente violenta. Segundo relatos, as forças de segurança estariam utilizando munição real contra os manifestantes. Em um ato simbólico de desafio, na região de Fars, manifestantes chegaram a derrubar a estátua de um ex-comandante da poderosa Guarda Revolucionária.

A situação atraiu a atenção internacional. O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu uma ameaça direta em 8 de janeiro, alertando que se o regime iraniano "começar a matar pessoas, os americanos vão atacá-lo com muita força". Já o Reino Unido adotou um tom mais diplomático, com o primeiro-ministro Keir Starmer pedindo moderação às autoridades e declarando apoio aos protestos pacíficos.

Discurso do Líder Supremo e Ameaças do Regime

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, respondeu com dureza, classificando os manifestantes como "vândalos" e acusando-os de tentar agradar ao presidente norte-americano. Em discurso televisionado, o aiatolá rebateu as críticas de Trump, pedindo que ele cuidasse dos muitos problemas de seu próprio país.

Enquanto isso, o governo iraniano intensifica sua diplomacia com aliados regionais. O ministro do Exterior realizou reuniões em Beirute, Líbano, no dia 9 de janeiro, oficialmente para discutir a expansão de laços bilaterais. Internamente, as autoridades emitiram novas ameaças, alertando que manifestantes acusados de sabotagem, destruição de patrimônio ou confronto com a segurança podem enfrentar a pena de morte.

Contexto Histórico e Perspectivas

Esta não é a primeira vez que o Irã enfrenta grandes ondas de protesto. O país viveu momentos de tensão semelhante em 1999, com estudantes nas ruas, em 2009, após eleições contestadas, e em 2022, motivados pela morte de uma jovem sob custódia da polícia de costumes. A atual crise, porém, destaca-se pela abrangência nacional e pela feroz resposta estatal, colocando o regime em um novo e delicado teste de resistência frente ao descontentamento popular.