Turistas gaúchas baleadas em conflito de terras na Bahia recebem alta hospitalar
As duas turistas gaúchas que foram baleadas em uma área de disputa de terras entre indígenas e fazendeiros, no município de Prado, no sul da Bahia, receberam alta hospitalar na noite desta terça-feira (3). O incidente violento ocorreu há exatamente uma semana, deixando as mulheres em estado grave e exigindo intervenção médica imediata.
Denise Moro, de 57 anos, e Josiane Moro, de 55 anos, ambas naturais de São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, estavam internadas em Porto Seguro, no extremo sul do estado baiano, desde a última terça-feira (24). As vítimas passaram por cirurgias de emergência logo após o ataque a tiros e permaneceram em recuperação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães.
Recuperação e permanência na cidade
Segundo informações apuradas pela TV Santa Cruz, afiliada da Rede Bahia na região, as turistas devem permanecer por mais alguns dias na cidade de Porto Seguro. A decisão visa garantir os cuidados necessários com a saúde antes da viagem de retorno para o Rio Grande do Sul. O estado clínico das mulheres, embora estável, ainda requer monitoramento médico especializado.
Até a última atualização desta reportagem, oito homens adultos já haviam sido presos e quatro adolescentes foram apreendidos pela polícia, todos sob suspeita de participação direta no crime. O caso continua sob investigação das autoridades competentes, que buscam esclarecer todos os detalhes do ataque.
Relembrando o ataque violento
O marido de Josiane, Luis Alberto Dutra, concedeu uma entrevista à TV Santa Cruz logo após o ocorrido, descrevendo os momentos de terror vividos pela família. Ele relatou que estavam passeando na região desde o dia 14 de fevereiro e que, na terça-feira do ataque, decidiram visitar uma praia na Barra do Cahy.
“Fomos tranquilos, não havia nenhum movimento na estrada. Faltavam aproximadamente 100 metros para chegarmos ao nosso destino quando ouvimos barulho de estampido. Olhamos para o lado e havia um barranco, com várias pessoas atirando em nossa direção”, contou Luis Alberto.
Segundo seu relato, havia cerca de 20 indivíduos armados, muitos com lenços cobrindo o rosto. “Eu ergui meus braços e gritei que éramos turistas. Eles apenas gritavam e ordenavam que fôssemos embora”, acrescentou. Após os disparos, ele conseguiu levar a esposa e a cunhada até Corumbau, onde estavam hospedados, e de lá uma equipe médica as transportou de helicóptero para atendimento em Porto Seguro.
Armas apreendidas e investigações em andamento
Com a prisão dos 12 suspeitos, a polícia apreendeu quatro carabinas e um revólver, calibres 12 e 38, além de uma quantidade significativa de munições. As investigações seguem ativas para determinar a motivação exata do ataque e possíveis conexões com o conflito de terras na região.
O episódio chocou a comunidade local e turística, levantando questões sobre segurança em áreas rurais da Bahia. As autoridades reforçaram a presença policial na região e prometem rigor nas apurações.



