Dino denuncia 'atacadistas de emendas' no STF ao condenar deputados por corrupção
Dino fala em 'atacadistas de emendas' ao julgar deputados

Ministro do STF condena deputados e alerta sobre esquema de 'atacadistas de emendas' no Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma declaração contundente durante o julgamento de deputados acusados de corrupção, referindo-se à existência de "autênticos atacadistas de emendas" no país. A afirmação ocorreu em sessão da Primeira Turma do STF, que decidiu condenar os deputados Josimar Marãozinho e Pastor Girl, ambos do PL do Maranhão, além do ex-deputado Bosco Costa (PL-SE), atual suplente.

Condenação por corrupção passiva e absolvição de organização criminosa

Os parlamentares foram acusados de cobrar propina em troca de direcionar verbas parlamentares a municípios. A Primeira Turma do STF os condenou por corrupção passiva, mas os absolveu da acusação de organização criminosa. A pena específica ainda será definida em etapas posteriores do processo.

Dino, que é relator de ações sobre as regras de transparência de emendas, enfatizou que o problema não está no exercício legítimo da atividade de representação política. "O que está em questão é que, lamentavelmente, talvez pelo montante, se criaram autênticos atacadistas de emendas", declarou o ministro, destacando a gravidade do esquema.

Esquema generalizado de compra e venda de emendas

De acordo com Flávio Dino, esse modelo de "atacadistas de emendas" existe "em vários estados, quiçá em todos" do Brasil. Ele descreveu uma estrutura organizada, comparando-a a uma rede de varejo tradicional, com figuras que ocupam o topo dessa rede.

"Nós temos uma rede de varejo, que foi posta tradicionalmente no Brasil, e se afirmaram figuras em vários estados, quiçá em todos, de autênticos atacadistas, que ocupam uma espécie de topo dessa rede, em que emendas, como disse o ministro Alexandre há pouco, são compradas e vendidas", explicou Dino durante o julgamento.

Contexto e implicações do caso

O julgamento ocorreu em 17 de março de 2026, com a decisão da Primeira Turma do STF marcando um passo significativo no combate à corrupção envolvendo verbas parlamentares. A condenação dos deputados reforça a atuação do Supremo em casos de desvio de recursos públicos, enquanto a denúncia de Dino sobre os "atacadistas" levanta alertas sobre a necessidade de maior transparência e controle nas emendas.

Este caso ilustra os desafios contínuos na fiscalização de recursos do orçamento federal, com o ministro apontando para uma prática que, segundo ele, pode estar disseminada nacionalmente. As declarações de Dino ressaltam a urgência em revisar mecanismos de distribuição de emendas para prevenir abusos e garantir que os fundos públicos sejam usados de forma ética e eficiente.