Operação Colmeia revela sistema brutal do Comando Vermelho no coração da Lapa
A Operação Colmeia, realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta terça-feira, 16 de março de 2026, expôs um cenário de violência e exploração comandado pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) na região histórica da Lapa. As investigações, que resultaram na prisão de 14 indivíduos, escancararam práticas brutais contra dependentes químicos e um esquema de extorsão que atinge comerciantes ambulantes.
Tortura e "julgamentos" sumários contra usuários de drogas
Imagens apreendidas pelas autoridades, gravadas pelos próprios criminosos, flagraram cenas chocantes de usuários sendo imobilizados com fitas adesivas enquanto sofriam agressões físicas. Conforme relatou o delegado Uriel Alcântara Machado, da Polinter, os traficantes promoviam verdadeiros "julgamentos" improvisados, nos quais decidiam, de forma arbitrária e imediata, sobre a vida ou a morte das vítimas. Essa tática de terror visava controlar e intimidar a população de dependentes que circula pelos pontos de venda de entorpecentes na área.
Extorsão sistemática de ambulantes em pontos turísticos
Além da violência contra usuários, o CV diversificou suas fontes de renda ilegal através da cobrança de taxas diárias a comerciantes ambulantes que atuam em locais estratégicos da Lapa. Em particular, aqueles que montam barracas nas proximidades da Escadaria Selarón, um dos cartões-postais mais visitados do Rio, são obrigados a pagar valores que podem alcançar R$ 130 por dia. Esse esquema criminoso, orquestrado por Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como "Abelha", e seu aliado Endrew Silva Lima, o "Di Mulher", já teria gerado um montante estimado em próximo a R$ 200 mil para os cofres da organização.
Estrutura logística complexa e ocupação de casarões históricos
As investigações avançadas também revelaram a complexa estrutura logística mantida pelo Comando Vermelho para abastecer as bocas de fumo da região. Para despistar a ação policial, os pontos de venda são constantemente realocados, com casarões abandonados sendo ocupados e transformados em locais improvisados de comércio de drogas. Filas de compradores se formam a poucos metros dos icônicos Arcos da Lapa, evidenciando a audácia da operação criminosa.
O abastecimento desses pontos é feito a partir do morro do Fallet/Fogueteiro, onde Anderson Venâncio Nobre de Souza, apelidado de "Piu", mesmo estando encarcerado, continua comandando as atividades ilícitas. A droga é transportada até a Lapa por mulheres e mototaxistas, demonstrando a sofisticação e o alcance da rede criminosa.
Impacto na segurança pública e no patrimônio histórico
Este caso ilustra não apenas a violência endêmica associada ao tráfico de drogas, mas também a degradação do patrimônio histórico e cultural do centro do Rio de Janeiro. A transformação de casarões centenários em pontos de venda de entorpecentes representa um duplo ataque: à segurança dos cidadãos e à preservação da memória urbana. A Operação Colmeia serve como um alerta para os desafios contínuos no combate ao crime organizado em áreas urbanas densamente povoadas e turísticas.
