Operação Harpia desmantela esquema criminoso de furto de gado no extremo sul da Bahia
Nesta quarta-feira (4), a Polícia Civil da Bahia deflagrou a Operação Harpia, resultando na prisão de seis indivíduos suspeitos de integrar uma organização criminosa dedicada ao furto de gado, abate clandestino e comercialização irregular de carne bovina. As ações ocorreram principalmente na cidade de Porto Seguro, localizada no extremo sul do estado, com desdobramentos também em Pau Brasil.
Esquema milionário e abrangente
Conforme investigações da Polícia Civil, o grupo atuava há aproximadamente cinco anos nas regiões extremo sul, sul e sudoeste da Bahia, causando um prejuízo estimado em R$ 2 milhões aos produtores rurais locais. O modus operandi envolvia o alvo de propriedades rurais afastadas, onde os animais eram abatidos durante a madrugada, diretamente no pasto, sem qualquer condição sanitária adequada.
De acordo com informações da TV Santa Cruz, afiliada da TV Bahia na região, os criminosos atuavam em diversas cidades, incluindo Eunápolis, Itapetinga, Ilhéus e Itapebi. Para executar os crimes, o grupo alugava caminhonetes, percorrendo distâncias de até 500 quilômetros para realizar os abates. Apenas um dos investigados foi responsável pelo aluguel de 61 veículos ao longo do período de atuação da quadrilha.
Estrutura criminosa e apreensões
A operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão, sendo 12 em Porto Seguro e 2 em Pau Brasil. Nos bairros Cambolo e Baianão, além do distrito de Pindorama, os policiais encontraram evidências concretas do esquema. Em Pindorama, um açougue que também funcionava como abatedouro clandestino foi alvo das diligências.
Durante as ações, foram apreendidos:
- Carne bovina de origem clandestina
- Armas de fogo, facas e facões
- R$ 18 mil em dinheiro vivo
- Diversos cartões de crédito
O esquema contava com a participação de proprietários de açougues, que utilizavam seus estabelecimentos para conferir aparência de legalidade à carne obtida ilegalmente. A carne era transportada sem refrigeração adequada, aumentando os riscos à saúde pública, e comercializada a preços inferiores aos de mercado.
Responsabilização e continuidade das investigações
Os seis presos, incluindo uma mulher apontada como responsável pela logística de locação dos veículos, responderão pelos crimes de furto qualificado, crimes contra as relações de consumo e infrações sanitárias. A Polícia Civil ressaltou, em nota oficial, que as investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa.
Este caso evidencia a sofisticação e o impacto econômico de esquemas criminosos no agronegócio baiano, exigindo ações contundentes das forças de segurança para proteger os produtores rurais e garantir a segurança alimentar da população.



