A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga o assassinato brutal de Jonathan Batista, um jovem de 24 anos que trabalhava em uma organização não governamental. O crime ocorreu na comunidade de Rio das Pedras, localizada na zona sudoeste da capital fluminense.
Crime com sinais de tortura e crueldade
De acordo com as investigações iniciais, a principal linha aponta que Jonathan foi torturado e assassinado por integrantes de uma milícia que atua na região. O corpo do jovem foi localizado por policiais militares na última quarta-feira, dia 14 de janeiro.
Os relatos indicam uma extrema crueldade: após o assassinato, os criminosos teriam amarrado o corpo e o exibido pelas ruas da comunidade. O fato foi descoberto quando agentes do 18º Batalhão da Polícia Militar, de Jacarepaguá, patrulhavam a Rua Guilherme Moreira e se depararam com a vítima já sem vida.
A área foi imediatamente isolada para a realização dos trabalhos periciais. A Delegacia de Homicídios da Capital assumiu o caso e realiza diligências para identificar e prender os responsáveis pelo crime.
Jovem era "guerreiro e trabalhador", diz mãe nas redes
Nas redes sociais, a dor da família ecoou. A mãe de Jonathan descreveu o filho como um jovem trabalhador e solidário, que sempre gostou de ajudar o próximo. Em suas publicações, ela revelou que, no dia anterior ao crime, o rapaz havia ido à igreja.
"Ele está nos braços do Senhor, porque teu coração era puro", escreveu a mãe, em meio a lamentos pela violência sofrida pelo filho. Em outras mensagens, ela questionou: "Por que tanta covardia com ele? Não merecia. Tiraram meu menino" e definiu Jonathan como "Meu filho, guerreiro e trabalhador. Morreu na covardia".
Vítima atuava em programa social do governo estadual
Jonathan Batista trabalhava há dois anos na ONG Contato. A organização desenvolve projetos em parceria com o governo do estado do Rio de Janeiro. Em nota, a Secretaria de Estado de Juventude e Envelhecimento Saudável confirmou que o jovem atuava como auxiliar de integração do Polo Rio das Pedras, dentro do programa social chamado 60+ Reabilita.
Até o momento, não há informações divulgadas sobre a data e o local do sepultamento da vítima.
Contexto de violência na região
Este não é um caso isolado de violência extrema em Rio das Pedras. No último dia 9 de janeiro, a Polícia Civil localizou um cemitério clandestino na mesma comunidade, após receber denúncias sobre covas em uma área de mata.
Durante as buscas, foram encontradas ossadas enroladas em panos dentro de um buraco, incluindo ao menos um corpo completo com crânio. A descoberta está ligada às investigações sobre o desaparecimento do mototaxista Alan Pereira Martins de Lima, de 19 anos.
Alan saiu da Rocinha, na zona sul do Rio, em outubro do ano passado, para visitar a namorada em Rio das Pedras. Ele foi abordado por um miliciano enquanto estava com amigos em uma pizzaria e nunca mais foi visto.
O caso de Jonathan Batista reacende o alerta para a atuação de grupos milicianos e o ciclo de violência em comunidades do Rio de Janeiro, exigindo respostas efetivas das autoridades de segurança pública.