Operação 'Concreto Armado' prende seis suspeitos no Paraná por golpes milionários na construção civil
A Polícia Civil do Pará deu início, nesta quinta-feira (19), à segunda fase da operação "Concreto Armado", que investiga uma sofisticada organização criminosa especializada em aplicar golpes no setor da construção civil. A ação mobilizou 120 policiais para cumprir 42 mandados judiciais expedidos pelo Juízo de Garantias da Região Metropolitana de Belém, resultando na prisão de seis pessoas no estado do Paraná.
Esquema criminoso com prejuízos milionários
As investigações apontam que o esquema criminoso causou prejuízos milionários, com movimentações financeiras já identificadas superiores a R$ 200 mil. A quadrilha atuava de maneira extremamente profissional, infiltrando-se em grupos de engenheiros e acadêmicos, especialmente no Pará, onde se apresentavam como representantes de empresas legítimas do setor de concretagem e construção civil.
Para dar credibilidade à operação fraudulenta, os criminosos registraram empresas na Junta Comercial de São Paulo com nomes idênticos aos de companhias verdadeiras do ramo. Eles estruturaram um falso call center, elaboravam orçamentos técnicos com aparência oficial e ofereciam condições atrativas, porém compatíveis com o mercado, estratégia que dificultava a detecção da fraude pelas vítimas.
Vítimas em múltiplos estados e prisões no Paraná
Durante as apurações, a Polícia Civil identificou vítimas em diferentes estados brasileiros, incluindo Mato Grosso, Minas Gerais e o próprio Pará. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos simultaneamente nos estados do Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo, demonstrando a abrangência nacional do esquema criminoso.
Dos 42 mandados judiciais cumpridos, nove eram de prisão temporária e os demais de busca e apreensão. Até o momento da última atualização, seis pessoas foram presas no Paraná, enquanto não houve prisões registradas no estado do Pará, onde a operação teve origem.
Como funcionava o golpe sofisticado
O modus operandi da organização criminosa envolvia a infiltração em grupos profissionais e acadêmicos de engenharia, especialmente através de redes sociais e fóruns online. Os criminosos ofereciam serviços de concretagem e construção com preços competitivos, mas dentro da média de mercado, o que tornava a fraude ainda mais difícil de ser detectada.
Um dos casos emblemáticos ocorreu no bairro de São Brás, em Belém, onde uma vítima, que é engenheiro, registrou ocorrência após o não cumprimento de um serviço contratado. O profissional relatou prejuízo de aproximadamente R$ 10 mil após pagar boletos em nome de uma empresa com denominação idêntica à de uma companhia legítima.
"O atendimento era convincente. Eles mandaram orçamento com linguagem técnica, prazo de execução, projeto visual, tudo certinho. Só desconfiei depois de atrasos sucessivos e quando não consegui mais retorno", relatou a vítima, que preferiu não se identificar.
Investigadores identificam lavagem de dinheiro
As investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo revelaram movimentações financeiras significativas, com parte dos valores sendo sacada rapidamente em espécie. Um dos investigados teria retirado R$ 80 mil de uma só vez, indicando a escala dos recursos movimentados pelo esquema criminoso.
Também foi identificado um estabelecimento comercial com ligação direta ao grupo, suspeito de ser utilizado para lavagem de dinheiro. A descoberta reforça a sofisticação da organização criminosa, que não apenas aplicava golpes, mas também estruturava mecanismos para ocultar a origem ilícita dos recursos obtidos.
Orientações para evitar novas vítimas
A Polícia Civil continua com as investigações para identificar novos envolvidos e possíveis vítimas do esquema. As autoridades orientam engenheiros e empresas do setor da construção civil a redobrarem a atenção antes de contratar serviços, especialmente através de canais online.
Entre as recomendações estão a checagem direta de CNPJs em fontes oficiais, o contato com canais de atendimento confirmados e, sempre que possível, visitas presenciais às sedes das empresas contratadas. Essas medidas podem ajudar a prevenir que novos profissionais caiam em golpes semelhantes.
A operação "Concreto Armado" representa um esforço significativo das forças policiais para combater a criminalidade organizada no setor da construção civil, setor vital para a economia brasileira que frequentemente se torna alvo de esquemas fraudulentos sofisticados.



