Polícia de Santa Catarina conclui investigação e aponta adolescente como assassino do cão Orelha
A Polícia Civil de Santa Catarina encerrou oficialmente nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, as investigações sobre a morte do cão comunitário Orelha, um caso que gerou comoção nacional. O inquérito foi concluído na véspera de completar um mês do crime, identificando um adolescente como o responsável pelo assassinato do animal.
O documento foi encaminhado ao Ministério Público, que agora pode propor uma ação de apuração de ato infracional, equivalente a uma ação penal para maiores de idade. A polícia solicitou a internação do adolescente, destacando a gravidade do ato.
Provas e contradições no depoimento
Das quatro pessoas inicialmente suspeitas, apenas um adolescente foi formalmente apontado como culpado. A investigação se baseou em imagens de câmeras de segurança que capturaram o jovem chegando e saindo do local onde Orelha foi agredido, no horário exato do crime.
Durante o depoimento, o adolescente mentiu sobre seu paradeiro naquele momento, mas as filmagens desmentiram sua versão. Além disso, ele se contradisse em outros pontos do interrogatório, sem saber que a polícia já possuía as evidências visuais.
Outro elemento crucial foi a apreensão, no dia de sua chegada ao Brasil após uma viagem aos Estados Unidos, do mesmo moletom e boné usados nas gravações. Um parente que o acompanhava tentou esconder o acessório durante a abordagem policial, o que chamou a atenção dos investigadores.
Laudos periciais e tecnologia no caso
Laudos periciais confirmaram que Orelha sofreu um traumatismo craniano provocado por instrumento contundente, como um chute, garrafa ou barra de ferro. A polícia também utilizou um software francês para confirmar a localização do adolescente no momento do crime, reforçando as evidências.
Em nota, a polícia destacou que o sigilo das diligências foi fundamental para evitar, por exemplo, que o suspeito fugisse do país. Paralelamente, três adultos já foram indiciados por ameaçar e coagir testemunhas do caso.
Defesa contesta provas e alega politização
A assessoria de imprensa dos advogados contratados pela família do adolescente divulgou uma nota contestando as evidências, classificando-as como meramente circunstanciais. Os defensores Alexandre Kale e Rodrigo Duarte argumentam que as informações públicas não constituem prova definitiva e criticam a politização do caso.
Eles afirmam que a defesa atua de forma técnica e responsável, buscando a verdade real e demonstrando a inocência do jovem. Além disso, protestam por ainda não terem acesso integral aos autos do inquérito, alegando que investigações frágeis inflamam a opinião pública e prejudicam pessoas inocentes.
O caso do cão Orelha continua a repercutir, com a justiça catarinense agora responsável por analisar as provas e determinar os próximos passos legais.