Momento de terror em voo internacional abortado em Guarulhos
Um casal de passageiros que estava no avião da Latam com destino a Lisboa viveu momentos de intenso pânico quando a aeronave abortou a decolagem de forma brusca no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na noite de domingo (15). O Boeing 777-300, com capacidade para aproximadamente 400 pessoas, chegou a levantar do solo antes de retornar violentamente à pista, desencadeando cenas de desespero entre os passageiros.
"Como se tivesse despencado um prédio inteiro"
Segundo o relato da analista de planejamento financeiro Bruna Pedrazzi, que estava a bordo com seu marido Lucas, a sensação foi aterradora. "A gente sentiu o avião subir. Sabe quando o trem de pouso sobe e a gente sente aquela pressão? Nesse instante em que subiu, na hora, deu uma descida, caiu. Pra gente que estava ali dentro, era como se tivesse despencado um prédio inteiro de altura", descreveu Bruna.
A freada repentina foi tão intensa que vários passageiros quase bateram a cabeça nos bancos da frente. "Nessa hora, muita gente começou a chorar e falar: 'ah, Meu Deus, eu vou morrer! Meu Deus, não era pra gente ir hoje'", relembrou a passageira, destacando o clima de terror que se instalou na cabine.
Comunicação do piloto aumentou temores
O engenheiro de dados Lucas Pedrazzi, de 34 anos, relatou que a tripulação não forneceu esclarecimentos imediatos sobre o que estava ocorrendo. A situação se agravou quando o piloto se comunicou pelo sistema de voz interno. "Quando chegou no final da pista, já estava quase acabando a pista, a voz do piloto foi, pra gente que estava ali dentro, preocupante, uma voz carregada de emoção", contou Bruna.
Segundo ela, o comandante teria dito "Permaneçam sentados, permaneçam sentados" com uma voz embargada que transmitiu preocupação, aumentando ainda mais o pânico entre os passageiros. Lucas complementou: "Algumas pessoas ficaram desesperadas, dizendo que iam vomitar. Outras falavam que 'estavam morrendo'. Um pânico, e nada foi feito para essas pessoas. Depois, muito depois, [os comissários] passaram com água".
Freios superaquecidos exigem intervenção dos bombeiros
O casal só soube o que realmente acontecia através de postagens na internet e pela observação pelas janelas. O avião conseguiu parar praticamente no final da pista de 3.400 metros, mas os freios superaqueceram a ponto de ficarem incandescentes. "As imagens do freio vermelho não são de fogo, são os freios superaquecidos, incandescentes", explicou Lucas.
Bombeiros foram acionados e precisaram utilizar mangueiras de água para resfriar os freios da aeronave. Após esse procedimento, os passageiros tiveram que desembarcar diretamente na pista. "Foi aquela cena de filme: a gente descendo ao ar livre ali, com uma ventania", descreveu Bruna sobre o desembarque incomum.
Confusão no desembarque e reposicionamento
O transporte de volta ao terminal foi feito por apenas um ônibus que levava pequenos grupos por vez, deixando a maioria dos passageiros aguardando na pista. De volta ao check-in, "foi uma confusão porque eram 400 passageiros sem saber o que fazer", relatou o casal.
A Latam informou que ofereceu assistência a todos os clientes, que foram desembarcados e reacomodados em hotéis e outros voos. O novo voo para Lisboa foi remarcado para terça-feira. Em nota, a companhia afirmou que "o procedimento foi efetuado em total segurança" e seguiu os protocolos estabelecidos para esse tipo de situação, mas não informou a causa específica do incidente.
Contexto do aeroporto e posicionamentos oficiais
O episódio ocorreu pouco depois da reabertura do Aeroporto de Guarulhos, que havia ficado fechado por aproximadamente três horas devido à presença de drones na área, que interromperam as operações.
A GRU Airport, administradora do aeroporto, informou que a decolagem do voo 8146 foi abortada "em procedimento padrão de segurança" e que a equipe de combate a incêndio foi acionada conforme protocolo. A concessionária afirmou que não houve feridos e que a operação do aeroporto seguiu sem interrupções.
A Latam, por sua vez, reforçou em comunicado que "a segurança é prioridade em todas as suas operações", mas não respondeu se o caso será investigado ou de que forma isso ocorrerá. O incidente deixou claro as fragilidades na comunicação durante emergências aéreas e o impacto psicológico em passageiros em situações de risco.



