Uma tragédia ferroviária na Espanha deixou um rastro de dor e uma história de sobrevivência que comoveu o mundo. Uma menina de apenas seis anos foi a única sobrevivente de sua família após um grave descarrilamento e colisão entre dois trens de alta velocidade no domingo, 18 de janeiro de 2026, em Adamuz, na região de Córdoba, Andaluzia. O acidente, que já causou 40 mortes confirmadas, vitimou os pais, o irmão de 12 anos e um primo de 23 anos da criança.
A sobrevivência milagrosa entre os destroços
Durante a noite do acidente, equipes de resgate que atuavam no local encontraram a menina vagando, sozinha e desorientada, ao longo da linha férrea onde a tragédia ocorreu. Ela havia viajado a lazer com a família para Madri, onde assistiram a uma partida do Real Madrid no sábado. No domingo, embarcaram em um trem da empresa pública Renfe para retornar a Huelva, sua cidade.
Por volta das 19h45 (horário local), um trem da empresa privada Iryo, que fazia o trajeto entre Málaga e Madri, descarrilou e atingiu frontalmente a composição da Renfe. Segundo o jornal El Mundo, após a violenta colisão, a criança conseguiu sair do vagão destruído por uma das janelas. Ela foi levada a um hospital e recebeu apenas três pontos na cabeça, saindo praticamente ilesa do desastre.
A avó da menina, que havia se deslocado até a estação de Huelva após saber do acidente, recebeu a notícia de que a neta estava viva e bem, um momento de alívio em meio à dor. A esperança da família reacendeu brevemente na manhã de segunda-feira com a informação falsa de que o irmão de 12 anos também estaria internado, mas logo foi desmentida. Da família de cinco pessoas, apenas a menina sobreviveu.
Falha na via e alertas ignorados
As causas do acidente estão sob investigação, mas um elemento crucial foi identificado. No local, os peritos encontraram uma junta quebrada responsável pela ligação entre os trilhos. Indícios apontam que a falha existia há algum tempo, provocando uma abertura gradual entre as partes do trilho que se agravou com a passagem constante dos trens de alta velocidade. Esta falha estrutural é a principal hipótese para o descarrilamento.
O caso ganhou uma dimensão de possível negligência com a divulgação, nesta segunda-feira, de uma carta do sindicato espanhol de maquinistas (SEMAF). O documento, enviado em agosto de 2025 à Administradora de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF), já alertava para um "desgaste severo" nos trilhos daquele trecho, mencionando buracos, saliências e desequilíbrios nas linhas elétricas que causavam avarias frequentes.
O alerta contrasta com a avaliação inicial do ministro dos Transportes, Óscar Puente, que classificou o acidente como "extremamente estranho", citando que o trecho era reto, o trem da Iryo era novo (fabricado em 2022) e que a via havia passado por obras recentes, concluídas em maio de 2025, com um investimento de cerca de 700 mil euros. A carta do sindicato é de agosto, meses após a conclusão dessas obras.
Luto coletivo e consequências
A família Zamora (ou Zamorano) Álvarez, que morava em Aljaraque, perto de Huelva, era muito querida na comunidade de Punta Umbría, onde mantinham uma popular loja de roupas infantis. "Eram muito queridos", lamentou o representante local José Carlos Hernández.
Além das 40 mortes, o acidente deixou outras 41 pessoas hospitalizadas, sendo 12 em estado grave em unidades de terapia intensiva, incluindo uma criança. O tráfego ferroviário em diversas rotas do sul da Espanha foi suspenso, mobilizando grandes equipes de resgate durante toda a madrugada.
A tragédia expõe questões críticas sobre a manutenção da infraestrutura ferroviária e a responsabilidade na gestão de alertas de segurança, deixando uma nação em luto e uma menina de seis anos para carregar, sozinha, a memória de sua família.