A população de municípios do interior do Acre enfrenta as graves consequências de uma nova enchente em 2026. Os rios Envira, em Feijó, e Tarauacá, na cidade homônima, transbordaram nesta semana, afetando milhares de pessoas e forçando famílias a deixarem suas casas.
Nível dos rios em vazante, mas situação ainda preocupa
Neste sábado (17), os dois mananciais registraram uma vazante, mas a situação ainda é crítica. Em Feijó, o Rio Envira baixou 19 centímetros, marcando 12,01 metros. O transbordo havia ocorrido na terça-feira (13), quando o nível ultrapassou a cota de 12 metros. Duas famílias, totalizando sete pessoas, continuam abrigadas em locais públicos.
Já em Tarauacá, o rio que dá nome à cidade registrou 8,85 metros, ficando a apenas 35 centímetros da cota de alerta, que é de 8,50 metros. Na cidade, também há duas famílias desabrigadas devido à força das águas.
Impactos significativos e previsão de mais chuvas
Os impactos da cheia são extensos. Mais de 120 famílias foram atingidas em Feijó, considerando zonas urbanas, rurais e aldeias. Em Tarauacá, os números são ainda mais expressivos: aproximadamente 12 mil pessoas foram afetadas em quatro bairros, com 5,2 mil casas impactadas e 72 pessoas desalojadas.
O coordenador da Defesa Civil de Feijó, major Adriano Souza, alertou que, apesar da redução do nível do Rio Envira em 23 centímetros desde sexta-feira (16), a previsão é de mais chuvas nas cabeceiras. "Isso pode aumentar o nível novamente. Com isso, vamos fazer um esforço para poder transferir as famílias para aluguéis sociais", afirmou.
Um abrigo continua funcionando na escola José de Augusto de Araújo, em Tarauacá, onde são produzidas e distribuídas marmitas, galões de água e medicamentos, além de serem oferecidos atendimentos médicos.
Governo federal reconhece situação de emergência
Diante da gravidade da situação, o governo federal reconheceu, na quarta-feira (14), a situação de emergência em cinco municípios acreanos. A medida, oficializada por portaria publicada no Diário Oficial da União, inclui Feijó, Tarauacá, Plácido de Castro, Porto Acre e Santa Rosa do Purus.
O reconhecimento federal tem como base um decreto do governo do Acre de 29 de dezembro do ano passado, que já havia declarado emergência devido aos volumes de chuva acima da média e à elevação dos rios Acre, Purus e Tarauacá.
Com essa decisão, os municípios afetados passam a ter acesso facilitado a recursos federais para ações de resposta à crise, assistência humanitária, recuperação de áreas danificadas e apoio logístico. A articulação das ações fica a cargo da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, em conjunto com as esferas municipal e federal.