Estudante brasileiro vive momentos de terror em voo da Latam que aborta decolagem em Guarulhos
Um estudante brasileiro que viajaria para Portugal retomar seus estudos viveu momentos de intenso pânico durante um incidente aéreo no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na noite de domingo (15). Lucas Albertino, residente de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, estava a bordo do voo LA8146 da Latam com destino a Lisboa quando a aeronave precisou abortar a decolagem de forma brusca, gerando cenas de desespero entre os passageiros.
"Foi tudo muito rápido e traumatizante"
"Foi tudo muito rápido e foi muito traumatizante, ainda mais por estar perto da asa. Pensei que em algum momento pudesse explodir ou que pudesse começar a pegar fogo", relatou Albertino ao descrever os momentos críticos do incidente. O estudante, que seguiria para a Universidade da Beira Interior (UBI) em Portugal, estava sentado próximo à asa do Boeing 777-300 quando percebeu a situação se desenrolar.
De acordo com seu relato, os problemas começaram ainda antes da tentativa de decolagem, com avisos sobre a presença de drones na pista que mantiveram a aeronave parada por aproximadamente uma hora. "Mesmo antes já tivemos problemas no aeródromo. Tiveram avisos de drones na pista e ficamos um tempo parado", explicou o passageiro.
Sequência de eventos assustadores
Com a liberação da pista, o avião iniciou o procedimento de decolagem, mas a situação rapidamente se complicou:
- A aeronave acelerou e chegou a levantar, saindo brevemente da pista
- Houve uma quebra brusca na rotação e retorno imediato à pista
- Frenagem súbita que surpreendeu todos a bordo
- Aparição de fumaça próximo à asa onde Albertino estava sentado
"A gente percebeu uma quebra brusca na rotação e, assim que voltou para a pista, já freou de repente. Todo mundo estranhou", contou o estudante. "Tivemos essa parada e começamos a ver fumaça. Bem na lateral que eu estava, por sinal, estava na asa do avião, e começou a sair essa fumaça."
Piloto com voz trêmula e instruções preocupantes
Um dos aspectos que mais alarmou os passageiros foi a comunicação inicial do piloto. Lucas Albertino relatou que, na primeira vez que o comandante falou após parar a aeronave, sua voz estava visivelmente trêmula. "Você percebe o piloto com a voz trêmula e depois de assistir a fumação da turbina, você não fica bem, né? Bate a ansiedade, bate o medo, a impotência. A gente não podia fazer nada", desabafou.
A primeira instrução para os passageiros foi que todos permanecessem calmos e sentados, com a informação de que o Corpo de Bombeiros estava a caminho para resolver o problema. "Quando eles falaram isso piorou ainda mais a emoção. A gente pensou que estava pegando fogo, ainda mais com a fumaça", revelou o estudante.
Explicação técnica e incertezas persistentes
Com a chegada dos bombeiros, o piloto reapareceu e explicou que havia ocorrido um superaquecimento da turbina, e que a fumaça observada seria na verdade vapor d'água sendo liberado. No entanto, a Latam manteve-se evasiva sobre os detalhes do incidente.
Em nota oficial, a companhia aérea limitou-se a afirmar que "a aeronave interrompeu a sua decolagem" e que "o procedimento foi efetuado em total segurança e é o protocolo previsto para esse tipo de situação". A empresa não respondeu se o caso será investigado ou de que forma, deixando os passageiros com mais perguntas do que respostas.
"Então até agora, na verdade, nem os passageiros sabem bem o que aconteceu. A gente entendeu o problema, mas foi tudo muito rápido e foi também muito traumatizante", concluiu Albertino, destacando que o voo foi posteriormente cancelado e os passageiros reacomodados em hotéis e outros voos conforme anunciado pela Latam.
O incidente ocorreu em um Boeing 777-300 com capacidade para aproximadamente 400 passageiros, ampliando a dimensão do potencial risco envolvido. A situação reforça preocupações sobre segurança aérea e procedimentos de emergência em um dos principais aeroportos do país.



