Acidente aéreo em Washington: NTSB aponta 'infinidade de erros' após colisão fatal
Colisão avião e helicóptero em Washington teve 'infinidade de erros'

Colisão aérea em Washington é atribuída a série de falhas operacionais

O trágico acidente entre um avião comercial da American Airlines e um helicóptero Black Hawk do Exército americano, que resultou na morte de 67 pessoas em Washington em janeiro do ano passado, foi consequência de uma infinidade de erros, conforme apontou o Conselho Nacional de Segurança no Transporte (NTSB) dos Estados Unidos. O desastre aéreo, considerado um dos mais letais do país desde 2001, continua a revelar detalhes preocupantes sobre as condições de segurança na aviação norte-americana.

Relatório preliminar expõe anomalias na torre de controle

Um relatório preliminar da Administração Federal de Aviação (FAA) indica que a equipe da torre de controle do Aeroporto Ronald Reagan operava sob condições anormais no momento da colisão. As informações, divulgadas pelo jornal The New York Times, mostram que a configuração da equipe não era adequada para o horário e volume de tráfego daquela noite de quarta-feira.

O acidente envolveu um jato Bombardier CRJ700 da American Airlines, com 64 pessoas a bordo, e um helicóptero militar com três ocupantes. Não houve sobreviventes, confirmaram as autoridades. A colisão ocorreu sobre o rio Potomac, nas proximidades do aeroporto, durante operações de pouso e decolagem.

Falta de pessoal e sobrecarga de trabalho

Segundo a investigação, o controlador responsável pelos helicópteros na área também estava instruindo aviões que iriam pousar ou decolar – uma função que normalmente exigiria pelo menos dois profissionais. Esta sobrecarga teria complicado as operações, já que o controlador precisava alternar entre frequências diferentes para comunicação com pilotos de avião e helicóptero.

The New York Times revelou ainda que a torre do Aeroporto Ronald Reagan enfrenta problemas crônicos de falta de pessoal. Enquanto a FAA e sindicatos estabelecem uma meta de 30 controladores certificados, apenas 19 estavam qualificados em setembro de 2023. Devido a esta escassez, alguns funcionários chegaram a trabalhar até 10 horas diárias, seis dias por semana.

Áudio revela momentos críticos antes da tragédia

Gravações do controle de tráfego aéreo obtidas pela Reuters capturaram os instantes que antecederam a colisão. Às 20h47 do horário local, um controlador alertou o helicóptero (sinal de chamada PAT25): "PAT25, você tem um CRJ à vista? PAT25, passe atrás do CRJ".

Poucos segundos depois, outra aeronave comunicou: "Tower, você viu isso?" – aparentemente referindo-se ao impacto. Os controladores então iniciaram procedimentos de emergência, redirecionando aviões e paralisando operações.

No áudio, é possível ouvir um controlador exclamar: "Bateu, bateu, bateu, isso é um alerta três". Outro profissional confirmou: "Tanto o helicóptero quanto o avião caíram no rio. Provavelmente estava no meio do rio".

Consequências e investigações em andamento

A Associated Press informou que o helicóptero realizava um voo de treinamento quando ocorreu o acidente. O incidente expôs vulnerabilidades significativas no sistema de controle aéreo norte-americano, especialmente quanto à falta de controladores qualificados – um problema há muito identificado pela própria FAA.

As investigações continuam para determinar todas as causas do desastre, enquanto familiares das vítimas e a comunidade da aviação aguardam respostas sobre como prevenir tragédias similares no futuro. O caso ressaltou a importância de condições de trabalho adequadas e dimensionamento correto de equipes nas operações de controle aéreo.