Preso sargento do Exército suspeito de atropelar jovem e fugir sem socorro no DF
Preso sargento do Exército por atropelar e fugir no DF

O sargento do Exército Guilherme da Silva Oliveira, suspeito de atropelar Maria Clara Facundo, de 20 anos, e fugir sem prestar socorro, passou por audiência de custódia nesta terça-feira (28). Durante a sessão, a Justiça decidiu decretar a prisão preventiva do investigado.

Detalhes do atropelamento

O atropelamento aconteceu na madrugada de sábado (25), quando Maria Clara estava atravessando uma rua perto da faixa de pedestres no Riacho Fundo, Distrito Federal. Imagens do local mostram que o suspeito deu ré no carro e atingiu a jovem, que chegou a ser arrastada pelo asfalto. O motorista, ainda de ré, fugiu do local sem prestar socorro.

Em nota, o Comando Militar do Planalto afirmou que instaurou procedimento administrativo para apurar a participação dos militares no caso. O comando também declarou que "não compactua com desvios de conduta de seus integrantes e repudia veementemente quaisquer atitudes que contrariem os valores e a ética militar".

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Polícia descarta versão de interação prévia

A Polícia Civil do Distrito Federal descartou a versão de que a jovem atropelada teria tido qualquer interação prévia com o motorista antes do crime. Essa versão surgiu em depoimentos iniciais de algumas testemunhas, ainda no fim de semana. Segundo esses relatos, Maria Clara e uma amiga estavam em frente a uma distribuidora de bebidas quando receberam "convites" dos ocupantes de um carro. Ao recusar a abordagem, a vítima teria sido atropelada.

No entanto, de acordo com o delegado Jhonson Kenedy, da 29ª Delegacia de Polícia, não houve convite, desentendimento ou qualquer contato entre a vítima, Maria Clara Facundo, de 20 anos, e o sargento do Exército Guilherme da Silva Oliveira, de 22 anos. A própria vítima, ouvida no hospital, e dois amigos que a acompanhavam afirmaram à polícia que não existiu qualquer conversa anterior ao crime.

"O que aconteceu foi só que os rapazes entraram no carro para sair do local, manobraram o carro. E aí, quando ela [Maria Clara] vai atravessar, coincidentemente, ela está passando com a amiga na pista. Ao invés de o motorista parar o carro, eles seguem em fuga", disse o delegado.

Acusado alega medo de linchamento

Guilherme da Silva Oliveira responderá por tentativa de homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. O carro passará por perícia. Ainda de acordo com o delegado, o sargento do Exército disse em depoimento que "ficou assustado pela possibilidade de linchamento por parte das pessoas" e, por isso, fugiu sem prestar socorro. O sargento também negou ter ingerido bebida alcoólica. A polícia pediu um exame toxicológico para verificar se houve embriaguez ao volante.

A reportagem tenta contato com a defesa e aguarda posicionamento do Exército.

Relembre o caso

O atropelamento aconteceu no Riacho Fundo, no Distrito Federal, no sábado (25). Maria Clara atravessava uma rua próxima à faixa de pedestre. Imagens do local mostram que o suspeito deu ré no carro e atingiu a jovem, que foi arrastada pelo asfalto. O motorista, ainda de ré, fugiu sem prestar socorro.

A Polícia Civil ouviu e liberou três homens e uma mulher que estavam no carro de Guilherme no momento do acidente. O caso é investigado pela 29ª Delegacia do Riacho Fundo.

Jovem aguarda cirurgia

Segundo a família, Maria Clara fraturou a bacia e o rosto e teve traumatismo craniano. Luciene Lima Almeida, avó de Maria Clara, disse que até esta terça (28) a jovem segue internada na UTI do Hospital Santa Lúcia, na Asa Sul. Ela está estável e aguarda cirurgia no rosto.

"Ela se encontra com bastante água na cabeça, com um rosto que tem que fazer uma cirurgia maxilar, ainda não mexe as pernas, parte da bacia dela está quebrada. E ela está chorando, chorando com dor", relatou a avó.

O que diz o Exército?

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pelo Comando Militar do Planalto:

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"Em atenção à sua solicitação, o Comando Militar do Planalto (CMP) informa que tomou conhecimento de ocorrência registrada na 29ª Delegacia de Polícia, envolvendo o atropelamento de uma jovem, fato que está sendo investigado pelas autoridades civis competentes. Um dos militares envolvidos apresentou-se à Polícia Civil, prestou esclarecimentos e encontra-se preso em Organização Militar, à disposição da Justiça. O outro militar está em contato com a autoridade policial por meio de seu advogado. O CMP informa, também, que foi instaurado procedimento administrativo para apurar os fatos e a conduta dos militares envolvidos, segue colaborando com as investigações e fornecendo as informações necessárias ao esclarecimento do caso. O Comando Militar do Planalto reforça que não compactua com desvios de conduta de seus integrantes e repudia veementemente quaisquer atitudes que contrariem os valores e a ética militar, atuando com rigor na apuração de eventuais irregularidades, em colaboração com os órgãos competentes. O CMP permanece à disposição para prestar esclarecimentos adicionais."