Um caso extraordinário de resgate ocorreu no domingo (18) na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Bauru, interior de São Paulo. Uma mulher de 29 anos, vítima de atropelamento, foi declarada morta por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas foi reanimada minutos depois por um médico da concessionária responsável pela via. O episódio, que chocou a cidade, agora é alvo de investigações tanto da Polícia Civil quanto da área da saúde do município.
O momento dramático do resgate
O atropelamento aconteceu por volta das 18h15, no km 351 da rodovia, no sentido interior. Após o chamado de emergência, uma equipe do Samu chegou ao local e, após avaliação, atestou o óbito da vítima, que ainda estava sobre a pista. Com a confirmação da morte, a rodovia foi totalmente interditada e o Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para a remoção do corpo.
Enquanto a mulher permanecia coberta por uma manta térmica e o tráfego seguia bloqueado, um médico socorrista da concessionária percebeu sinais de respiração. Imediatamente, ele iniciou manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) na vítima. Os esforços foram bem-sucedidos, e ele conseguiu estabilizar a mulher, que foi rapidamente transportada para o Pronto-Socorro Central de Bauru. Posteriormente, ela foi internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base da cidade.
Investigações em andamento
Policiais militares rodoviários que atenderam à ocorrência apuraram que a mulher tentava atravessar a rodovia quando foi atingida por um veículo. O motorista envolvido no acidente permaneceu no local, prestou os primeiros socorros e foi ouvido pelas autoridades. Ele também foi submetido ao teste do bafômetro e segue sendo investigado. A via foi liberada cerca de 30 minutos após o início dos trabalhos.
O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária de Bauru como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. A Polícia Civil segue com as investigações para apurar todas as circunstâncias do atropelamento.
Apuração interna no Samu e afastamento
Diante do ocorrido, a Secretaria Municipal de Saúde de Bauru informou que abriu uma sindicância para investigar o atendimento prestado pela equipe do Samu. Como medida administrativa preventiva, a médica que constatou o óbito foi afastada das funções até a conclusão da apuração interna. O prazo para o encerramento da investigação não foi divulgado pelas autoridades.
A coordenação regional do Samu confirmou a abertura de uma corregedoria interna para apurar se houve falha nos procedimentos adotados durante o atendimento de domingo. O caso, portanto, segue sob o crivo das autoridades policiais e de saúde, que buscam entender a sequência de eventos que levou à declaração equivocada de óbito e à subsequente reanimação milagrosa.