Administrador morre após ser atingido por linha chilena no pescoço no Rio
Administrador morre por linha chilena no Rio

Administrador de empresas morre após ser atingido por linha chilena no pescoço no Rio

O número de denúncias sobre o uso de linha chilena mais que dobrou no estado do Rio de Janeiro em apenas um ano, segundo dados alarmantes do Disque Denúncia. Em 2024, foram registradas 561 ocorrências, enquanto no ano passado o total saltou para impressionantes 1.203 casos. Já nos três primeiros meses deste ano, foram contabilizadas 110 denúncias, indicando uma tendência preocupante de crescimento.

Tragédia em Cascadura

Na tarde de quinta-feira, dia 2, mais um caso terminou em tragédia na Zona Norte do Rio. Um homem morreu após ser atingido no pescoço por uma linha chilena enquanto pilotava sua moto em Cascadura. A vítima foi identificada como o administrador de empresas Leandro Rezende Cardoso, de 45 anos, que voltava para casa após mais um dia de trabalho.

Leandro chegou a ser socorrido com vida e levado ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas sofreu uma parada cardíaca durante o atendimento. As equipes médicas tentaram reanimá-lo intensamente, porém ele não resistiu aos graves ferimentos causados pelo corte profundo no pescoço.

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Detalhes do acidente

O acidente aconteceu exatamente entre as ruas Cerqueira Daltro e Gaspar Viana, no momento em que Leandro retornava para seu lar. Dono de uma empresa especializada em higienização de sofás, ele utilizava a moto diariamente para facilitar seu deslocamento pela cidade, uma prática comum entre muitos profissionais.

Leandro tinha planos de descansar durante o feriado, mas, no meio do caminho, foi surpreendido pela linha chilena que cruzou sua trajetória. Após o trágico incidente, um amigo da vítima retornou ao local e encontrou a linha que possivelmente causou a morte, evidenciando o perigo iminente.

Risco constante nas ruas

O programa RJ2 também identificou diversas outras linhas espalhadas pela região, representando um risco constante para todos que transitam pelo local. Carlos Eduardo Menezes, professor e amigo de Leandro, compartilhou sua angústia: "Preciso me locomover de um lugar pro outro. Então, a moto me facilita nesse sentido, mas a gente passa por isso todos os dias. Todos os dias eu vejo essas linhas esticadas pela rua. Já tive situações em que consegui me livrar, mas infelizmente ele não teve a mesma sorte".

Periculosidade da linha chilena

A linha chilena é considerada ainda mais perigosa que o tradicional cerol, podendo ser até quatro vezes mais cortante devido à sua composição com materiais abrasivos. O uso e a venda desse material são expressamente proibidos por lei estadual, e quem for flagrado pode enfrentar multas significativas e até responder criminalmente por lesão corporal ou homicídio culposo.

Apesar da proibição formal, é relativamente fácil encontrar ofertas do produto na internet. Em diversas redes sociais, perfis divulgam a venda da linha chilena sem qualquer restrição, dificultando o controle das autoridades.

Vida interrompida

Leandro Rezende Cardoso não era apenas um administrador de empresas competente, mas também estava prestes a se formar em Direito, demonstrando sua dedicação ao crescimento profissional. Viúvo e filho único, ele deixa os pais idosos e uma filha de apenas 15 anos, agora órfã.

A moto utilizada por ele no dia do acidente não possuía antena de proteção, um equipamento que poderia ter minimizado as consequências. O veículo segue estacionado na garagem da casa da família, ainda com marcas visíveis do ocorrido, servindo como triste lembrança.

Parentes e amigos estão profundamente abalados com a perda súbita. Um amigo próximo emocionado relatou: "Leandro era uma pessoa extremamente comunicativa, todos no bairro gostavam muito dele. Todo mundo está muito chocado com o que aconteceu, era alguém que fazia diferença na comunidade".

Chamado à conscientização

Esta tragédia reforça a urgência de campanhas educativas e ações efetivas de fiscalização para coibir o uso de linhas cortantes. Enquanto as denúncias continuam aumentando, mais vidas permanecem em risco nas ruas do Rio de Janeiro, exigindo respostas concretas do poder público e da sociedade como um todo.

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