Motins e tensão no Congresso em 2025: anistia e STF aquecem clima para 2026
Tensão entre Congresso e governo indica atritos para 2026

O ano de 2025 terminou com o clima político em alta temperatura no Congresso Nacional. Uma série de confrontos entre o governo Lula e o Parlamento, envolvendo desde projetos de anistia até uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), deixou claro que os atritos devem se estender até 2026, moldando o cenário de poder no país.

O motim pela anistia e o teste de fogo de Hugo Motta

Em agosto de 2025, a Câmara dos Deputados foi palco de um motim liderado por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo dos parlamentares era pressionar o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), a colocar em votação um projeto que tratava da anistia. A cena, transmitida ao vivo para todo o país, mostrou deputados ocupando a mesa diretora, entoando palavras de ordem e obstruindo as votações por dois dias.

O episódio foi um teste direto à liderança de Motta, eleito em fevereiro daquele ano com um apoio incomum que unia tanto o PT de Lula quanto o PL de Bolsonaro. A principal habilidade do deputado paraibano, a conciliação, foi posta à prova. Sob forte pressão, Motta se recusou a pautar o projeto de anistia, uma decisão que lhe rendeu elogios da base governista e críticas severas dos bolsonaristas.

Logo após o motim, porém, veio uma manobra de compensação. Motta entregou a relatoria de um vistoso projeto de combate à criminalidade ao deputado Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e figura próxima ao bolsonarismo. A medida acenou para a oposição e, por sua vez, provocou a irritação dos governistas, demonstrando o delicado equilíbrio que o presidente da Câmara precisa manter.

A rebelião no Senado: a indicação de Jorge Messias ao STF

Enquanto a Câmara lidava com a questão da anistia, o Senado enfrentava uma crise de natureza diferente, mas igualmente explosiva. Em novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no STF.

A escolha, no entanto, encontrou forte resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Alcolumbre, um governista com grande influência na Esplanada dos Ministérios, defendia para o cargo o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu antecessor e braço direito. Lula, porém, preferiu um nome de sua estrita confiança, o petista Jorge Messias.

Em uma clara retaliação, Alcolumbre marcou a sabatina de Messias de forma imediata, sem dar ao indicado tempo hábil para negociar e conquistar os votos necessários para sua aprovação. Diante da perspectiva de uma derrota certa, o Palácio do Planalto optou por uma jogada inusitada: não enviou a notificação formal da indicação ao Congresso. Com a falta do documento, a sabatina foi cancelada e a decisão sobre o nome de Messias foi empurrada para 2026.

Consequências e o cenário para o próximo ano

Os eventos de 2025 revelaram um Congresso fragmentado e em constante estado de tensão com o Planalto. A crise na Câmara, com o motim pela anistia, mostrou a força e a disposição da bancada bolsonarista para criar obstáculos. Já o impasse no Senado evidenciou que mesmo aliados do governo, como Alcolumbre, estão dispostos a travar batalhas pelo controle de espaços de poder, como uma vaga no Supremo.

O adiamento da sabatina de Jorge Messias transforma a indicação ao STF em uma das primeiras e principais disputas políticas de 2026. O episódio deixou claro que a relação entre o Executivo e o Legislativo, especialmente com o Senado, será marcada por negociações complexas e possíveis novos atritos.

Para Hugo Motta e Davi Alcolumbre, os conflitos foram um teste de sua capacidade de gestão e negociação. Enquanto Motta tentou navegar entre dois polos antagônicos, Alcolumbre usou seu poder de agenda para desafiar o presidente da República. O desfecho dessas histórias, especialmente a nomeação para o STF, será crucial para definir os rumos do poder no Brasil no ano que vem.