Calor: veterinária alerta que nem todo cachorro sabe nadar; veja cuidados
Veterinária alerta: nem todo cachorro sabe nadar no calor

Com as temperaturas elevadas desta época do ano, muitos tutores buscam alívio para seus animais de estimação em piscinas, praias, rios e lagos. No entanto, uma informação crucial muitas vezes passa despercebida: nem todo cachorro possui a habilidade natural de nadar. O alerta é feito pela médica veterinária Juliana Morika Sonoda, de Itapetininga, no interior de São Paulo, que detalha os cuidados necessários para garantir a segurança e a saúde dos pets durante esses momentos de lazer.

O mito do instinto universal e os sinais de perigo

A profissional esclarece um equívoco comum entre os donos de animais. "Alguns cães têm facilidade, mas não é uma regra e nem um instinto universal", afirma Juliana. Ela ressalta que é fundamental observar o comportamento do pet na água. Sinais de dificuldade incluem movimentos descoordenados, cabeça baixa ou afundando, respiração ofegante e tentativas desesperadas de sair da água.

As raças que exigem atenção redobrada são as braquicefálicas, caracterizadas pelo focinho achatado. Bulldog, Pug e Shih Tzu estão nesse grupo e enfrentam mais dificuldade para respirar e se manter flutuando. "Nesses casos, o uso de colete é essencial ou o contato com água deve ser evitado", orienta a veterinária.

Raças com aptidão e a importância da avaliação individual

Por outro lado, algumas raças possuem características físicas que favorecem a natação. Labrador, Golden Retriever, Terra Nova, Spaniel e Poodle geralmente têm estrutura corporal e pelagem mais adequadas para atividades aquáticas. Apesar disso, Juliana enfatiza que a avaliação individual é imprescindível. Fatores como idade, nível de obediência, problemas de saúde pré-existentes e, claro, a raça devem ser considerados antes de qualquer mergulho.

A escolha do ambiente também é crucial. A especialista recomenda evitar locais com água parada ou odor forte e nunca forçar o animal a entrar na água. A supervisão constante do tutor é uma regra de ouro, assim como optar por horários com temperaturas mais amenas para prevenir queimaduras nas patas e hipertermia.

Cuidados com a saúde antes, durante e depois da água

Os riscos para a saúde do pet vão além do afogamento. Após o contato com a água, seja do mar, piscina ou lago, é fundamental dar um banho no animal com shampoo específico para pets. A água salgada do mar, se ingerida, pode causar vômitos, diarreia e desidratação, enquanto a areia é um vetor para dermatites e verminoses.

Nas piscinas, o cloro pode irritar a pele, os olhos e as mucosas. Já rios e lagos apresentam maior risco de contaminação por doenças como leptospirose, giárdia e por bactérias e algas tóxicas. Por isso, a prevenção é vital: a vacinação contra leptospirose e o controle regular de vermes e ectoparasitas são medidas que devem estar em dia.

Para a proteção durante o passeio, a veterinária indica o uso de protetor solar específico para animais (a ser reaplicado conforme instruções), focando em áreas sensíveis como focinho, orelhas, barriga e regiões com pouco pelo. Colete salva-vidas, produtos otológicos secantes e colírios lubrificantes completam o kit de segurança.

Após o banho, secar bem o pelo do animal, especialmente entre os dedos e as orelhas, é um passo que não pode ser negligenciado, pois a umidade residual pode levar a dermatites, micoses e otites, principalmente em pets de pelagem longa ou densa.

Por fim, Juliana destaca a diferença de comportamento entre espécies. Enquanto os cães costumam tolerar mais o contato com a água, a maioria dos gatos não gosta e pode ficar estressada com facilidade, exigindo ainda mais sensibilidade por parte do tutor.