A história da exploração espacial está prestes a virar uma página monumental. A NASA tem como data alvo o dia 6 de fevereiro de 2026 para o lançamento da missão Artemis 2, que promete ser o primeiro voo tripulado a ir além da órbita terrestre em mais de meio século, com destino às imediações da Lua.
Preparação para um Marco Histórico
O momento exato do lançamento está previsto para as 23h41 (horário de Brasília), mas a agência espacial americana mantém uma janela de oportunidades entre os dias 5 e 11 de fevereiro. Caso condições técnicas ou climáticas impeçam o lançamento nesse período, novas tentativas poderão ocorrer aproximadamente um mês depois, seguindo o ciclo orbital lunar.
Atualmente, o superfoguete Space Launch System (SLS), com seus impressionantes 98 metros de altura, aguarda no Vehicle Assembly Building (VAB) do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Nos próximos dias, ele será transportado para a plataforma de lançamento 39B, onde passará por um ensaio geral final, incluindo abastecimento completo.
A missão representa um salto tecnológico e simbólico. Será a primeira desde a Apollo 17, em dezembro de 1972, a levar humanos para perto da Lua. Desta vez, a tripulação quebra paradigmas: pela primeira vez, uma mulher (Christina Koch), um homem negro (Victor Glover) e um cidadão não americano (o canadense Jeremy Hansen, da CSA) viajarão para o espaço profundo. Eles serão comandados por Reid Wiseman, completando o quarteto histórico.
Detalhes da Missão e Superação de Desafios
A confiança da NASA e da tripulação vem após a análise bem-sucedida da missão não tripulada Artemis 1, realizada em dezembro de 2022. Embora a cápsula Orion tenha retornado em segurança, o escudo térmico apresentou um desgaste maior que o esperado durante a reentrada na atmosfera terrestre. Os engenheiros identificaram e solucionaram o problema, relacionado a uma falta de permeabilidade no material, garantindo a segurança para o voo com astronautas.
O desenvolvimento do foguete SLS, que já consumiu US$ 31,6 bilhões e custa cerca de US$ 2,5 bilhões por lançamento, segue um modelo de contratação tradicional com a Boeing. Esse modelo contrasta com as parcerias de preço fixo estabelecidas com a SpaceX e a Blue Origin para desenvolver os módulos de pouso das futuras missões Artemis, a um custo significativamente menor.
Uma Jornada Segura e Inesquecível
A trajetória da Artemis 2 foi planejada para maximizar a segurança. Após o lançamento e uma série de manobras, a cápsula Orion, impulsionada pelo módulo de serviço europeu (ESA), seguirá uma trajetória de "retorno livre" em direção à Lua. Isso significa que, se houver qualquer falha crítica de propulsão, a nave e sua tripulação serão naturalmente trazidos de volta à Terra pela gravidade, sem necessidade de manobras adicionais.
Diferente das missões Apollo que entravam em órbita lunar, a Artemis 2 fará um sobrevoo elegante ao redor do satélite, descrevendo uma trajetória em forma de 8 antes de iniciar o retorno. Com um perilúnio (ponto de maior aproximação) de cerca de 7.500 km da superfície – muito mais distante que as órbitas baixas das Apollo –, os quatro astronautas se tornarão os seres humanos a viajarem mais longe no espaço na história.
Durante os aproximadamente dez dias de missão, Wiseman, Glover, Koch e Hansen testemunharão uma vista única: a Terra e a Lua, juntas na imensidão do cosmos. Uma imagem que marcará não apenas suas vidas, mas também o reinício da aventura humana além do nosso planeta.