Fones open-ear: tecnologia que mantém o usuário conectado ao ambiente
Os fones de ouvido do tipo open-ear representam uma nova tendência no mercado de áudio pessoal. Diferente dos modelos tradicionais, eles não tampam o ouvido, ficando apoiados perto da orelha e direcionando o som para dentro sem bloquear a audição do ambiente externo. Essa característica fundamental aumenta significativamente a percepção do que acontece ao redor, o que pode evitar distrações perigosas e ampliar consideravelmente a segurança do usuário em diversas situações.
Vantagens e desvantagens do formato aberto
Além do benefício de segurança, os fones open-ear oferecem conforto superior, já que não entram no canal auditivo e eliminam completamente o uso das borrachinhas que podem causar incômodo e acumular cera com o tempo. No entanto, o ponto negativo mais evidente é a falta total de isolamento acústico. Como o ouvido permanece completamente aberto, todos os ruídos externos são perfeitamente perceptíveis, o que limita o uso ideal para locais de trabalho, ambientes domésticos ou situações onde o barulho ambiente é controlado.
Em ambientes externos como ruas movimentadas, o som de motocicletas, caminhões, ônibus ou até mesmo o barulho alto de academias de ginástica pode ocultar completamente o áudio reproduzido pelos fones, seja música, podcast ou qualquer outro conteúdo. Por essa razão, especialistas recomendam cautela ao utilizar esses dispositivos em locais com alto nível de poluição sonora.
Quatro modelos em teste: características e desempenho
O Guia de Compras do g1 realizou testes detalhados com quatro modelos distintos de fones open-ear disponíveis no mercado brasileiro: Huawei FreeClip 2, JBL Soundgear Sense, Motorola Buds Loop e Philips TAQ2000. Três deles – Huawei, Motorola e Philips – apresentam o formato em "C" que se encaixa na orelha de maneira similar a um brinco ou piercing, enquanto o modelo da JBL foi desenvolvido especificamente para atividades esportivas, utilizando um gancho que passa sobre a orelha para maior fixação.
Huawei FreeClip 2: excelência com preço elevado
O Huawei FreeClip 2 se posiciona como o modelo mais caro do teste, com preço na faixa dos R$ 1.000 nas lojas online no início de março. Com peso de apenas 5,1g por fone, seu encaixe pode causar estranhamento inicial e, dependendo do ângulo, alguma pressão leve, mas oferece segurança contra quedas. Entre os modelos no formato "C", o da Huawei e o da Motorola se destacam como os mais confortáveis.
A qualidade sonora é classificada como excelente, muito similar aos fones da Motorola e JBL, funcionando bem para diversos gêneros musicais desde clássica até pop sertanejo. É interessante notar como é possível ouvir claramente graves, médios e agudos enquanto ainda se percebe conversas ao redor. O aplicativo Huawei AI Life disponível para Android e iOS permite ajustes de equalização e configuração de comandos por toque, incluindo um recurso curioso que utiliza movimentos da cabeça para atender chamadas.
A bateria oferece duração estimada de 9 horas de uso contínuo nos fones e mais 29 horas adicionais no estojo de carregamento – a maior autonomia entre todos os modelos avaliados. O único ponto negativo destacado é o design da caixa de carregamento, que torna o ato de guardar os fones um pequeno desafio nas primeiras utilizações.
JBL Soundgear Sense: focado em esportes
O JBL Soundgear Sense rompe com o conceito de "piercing" ao adotar um formato que posiciona a saída de som sobre o ouvido, com preço em torno de R$ 800 nas pesquisas de março. Com peso de 13,1g por fone, ele fica preso através de um gancho atrás da orelha, sendo especificamente indicado para práticas esportivas. O produto inclui um arco plástico opcional que conecta as duas pontas passando por trás do pescoço, aumentando significativamente a segurança durante atividades físicas intensas.
A qualidade do som é excelente e, entre os quatro fones testados, é o que permite perceber mais detalhes nas músicas. O característico reforço de graves da JBL está presente, mas de forma mais equilibrada e menos exagerada. O aplicativo JBL Headphones para Android e iOS oferece equalizador, controles de gestos e gerenciamento de reprodução musical.
A bateria tem duração estimada em 6 horas de uso, mais 18 horas no estojo, que se destaca por ser o maior entre os testados mas não cabe convenientemente no bolso. A autonomia total, no entanto, é suficiente para a maioria das atividades esportivas.
Motorola Buds Loop: versatilidade e design
O Moto Buds Loop apresenta-se como um fone estilo piercing com preço de R$ 900 em fevereiro, ou como acessório de moda na versão com cristais Swarovski por R$ 1.400. Com peso de 5,76g por fone, seu encaixe no ouvido é simples e não pressiona a cartilagem, oferecendo conforto notável durante uso prolongado.
A qualidade sonora é excelente, similar aos modelos da Huawei e JBL, com tecnologia desenvolvida em parceria com a Bose. O volume é ligeiramente mais alto que o dos concorrentes diretos. O aplicativo Moto Buds, disponível apenas para Android, oferece controles básicos e funções de inteligência artificial, incluindo um recurso de gravação e transcrição de conversas ativado pelo estojo – que nos testes funcionou apenas uma vez antes de travar.
A bateria oferece duração estimada de 8 horas de uso, mais 29 horas no estojo de carregamento, proporcionando autonomia competitiva no mercado.
Philips TAQ2000: custo-benefício impressionante
O Philips TAQ2000 se posiciona como o fone open-ear mais acessível do teste, com preço de apenas R$ 200 em março. Com peso de 6g por fone, entre os quatro modelos é o que aperta mais no encaixe inicial, exigindo um período de adaptação. Seu preço baixo o transforma no claro campeão da relação custo-benefício.
A qualidade sonora é um pouco inferior à dos concorrentes mais caros, mas completamente suficiente para uso diário em ambientes como escritórios. O perfil sonoro é mais neutro, sem exageros nos graves, oferecendo uma experiência auditiva equilibrada. O aplicativo Philips Fone de Ouvido para Android e iOS surpreende com uma função que gera sons da natureza ou ruído branco para ajudar na concentração ou relaxamento, similar a recursos presentes em dispositivos premium como os AirPods da Apple.
A bateria dura, segundo a fabricante, 7 horas contínuas nos fones e 21 horas adicionais no estojo, oferecendo autonomia adequada para a maioria dos usuários.
Conclusão: um formato para situações específicas
Os fones estilo open-ear representam uma categoria distinta no mercado de áudio pessoal. Eles perdem em isolamento de ruído e força dos graves quando comparados a modelos tradicionais, mas ganham significativamente ao permitir que o usuário mantenha consciência constante do seu entorno. Por essa razão, não servem para todas as situações – usar na rua ou no transporte público pode ser inviável devido ao barulho externo que pode abafar completamente o som reproduzido.
Dos quatro fones avaliados, três apresentam qualidade sonora excelente – Huawei FreeClip 2, JBL Soundgear Sense e Motorola Buds Loop – com preços mais elevados que refletem essa performance. O modelo da Philips surpreende pelo valor acessível de R$ 200 com qualidade de som mais que suficiente, posicionando-se como opção ideal para quem deseja testar o formato antes de investir em modelos premium.
Os fones testados foram enviados por empréstimo e serão devolvidos aos fabricantes. Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados.



