Um homem de 58 anos foi hospitalizado após utilizar um anabolizante indicado por uma farmácia em Gaspar, no Vale do Itajaí, Santa Catarina. O caso levou à prisão de três homens suspeitos de vender e aplicar medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A última prisão ocorreu nesta segunda-feira (4), quando a Polícia Civil deteve o suposto fornecedor dos produtos.
Investigação começou em abril
A investigação teve início em abril, depois que a vítima procurou a farmácia com exames laboratoriais e foi orientada a usar o anabolizante “Durateston Plus Gold”, de origem estrangeira e sem registro na Anvisa. Durante a internação, o homem revelou ter recebido ao menos duas doses do medicamento sugerido por um atendente. Segundo a polícia, o produto não era apenas vendido, mas também aplicado dentro do próprio estabelecimento.
Operação policial
Com base nas suspeitas, a polícia obteve autorização judicial para realizar buscas na farmácia e nas residências dos envolvidos. A operação ocorreu em 30 de abril. No local, os agentes encontraram o mesmo anabolizante usado pela vítima e vários frascos de tirzepatida, também sem registro sanitário no Brasil. Os medicamentos estavam armazenados de forma irregular, escondidos em caixas no depósito, sem controle de temperatura, o que poderia comprometer a segurança dos consumidores.
Na casa do dono da farmácia, os policiais apreenderam remédios de uso controlado, como clonazepam e sibutramina, que eram vendidos sem receita médica. O proprietário e um funcionário foram presos em flagrante, suspeitos de atuarem juntos na venda e aplicação das substâncias.
Novas apreensões
Nesta segunda-feira, as equipes cumpriram mandado de busca na casa do suposto fornecedor e apreenderam anabolizantes, caixas de tirzepatida da mesma marca, seringas, agulhas, itens para transporte térmico e um caderno com anotações de vendas. O delegado Filipe Martins afirmou que a investigação continua para identificar outros envolvidos e toda a cadeia de fornecimento. Se condenados, os suspeitos podem pegar de 10 a 15 anos de prisão.
Alerta da Anvisa
Em fevereiro, a Anvisa emitiu um alerta sobre o uso de canetas para tratamento de obesidade e diabetes sem acompanhamento médico, citando o aumento de casos de pancreatite associados a medicamentos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro. Em Santa Catarina, foram registrados ao menos quatro casos de pacientes com efeitos neurológicos após o uso das canetas emagrecedoras.
Entenda a doença e os medicamentos
A pancreatite é uma inflamação no pâncreas, órgão que pesa cerca de 100 gramas e mede aproximadamente 15 centímetros em adultos. Se não tratada, pode levar à morte. Os medicamentos envolvidos são os “agonistas do GLP-1”, que imitam um hormônio natural do intestino, ajudando a controlar o açúcar no sangue e reduzir o apetite.



