A médica Emily Assis viralizou nas redes sociais ao compartilhar a realidade de um plantão no interior de Goiás, onde atendeu pessoalmente mais de 80 pacientes em um único dia. Em um vídeo emocionado, ela detalhou a rotina intensa e os desafios de prestar um atendimento de qualidade em meio à alta demanda e à falta de estrutura.
A rotina exaustiva de um plantão no interior
No dia do relato, Emily estava atuando em um hospital do interior goiano. Ela explicou que, na cidade, existem apenas esse hospital e mais um posto de saúde, que estava fechado devido ao feriado de Ano Novo, concentrando toda a demanda no único local funcionando. A médica registrou impressionantes 83 atendimentos realizados por ela, um número que ilustra a sobrecarga do sistema.
Além das consultas no consultório, sua rotina incluía múltiplas responsabilidades. "A porta não para", afirmou. Ela precisava se dividir entre a sala vermelha, destinada aos casos mais graves, a enfermaria e os atendimentos que chegavam constantemente, incluindo aqueles provenientes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Qualquer intercorrência ou chegada de ambulância exigia que ela parasse o que estava fazendo para priorizar a emergência.
Paciente satisfeito é paciente bem atendido
Emily destacou a importância de dedicar atenção a cada pessoa, mesmo com o tempo escasso. Ela observou que, quando o paciente recebe um acolhimento mais atencioso, a insatisfação com a espera diminui. "Mudava a cara comigo, ficava mais satisfeito", contou a médica, reforçando que a qualidade no atendimento pode transformar a experiência do usuário do SUS.
Ela também comentou as reclamações que ouvia do lado de dentro do consultório, como "Nossa, que médica enrolada" ou "Eu vou embora. Não é possível que só uma injeção leve esse tempo todo". Emily demonstrou compreensão pela impaciência, afirmando: "Eu sei que para as pessoas é muito complicado esperar".
Escolha profissional e responsabilidade
Em seu desabafo, a médica fez uma reflexão sobre a carga de plantões. Ela lembrou que a atividade é uma escolha do profissional, geralmente motivada por necessidades financeiras. "Todo mundo tem conta para pagar", disse. No entanto, ela foi enfática ao defender que, uma vez assumido o compromisso de trabalhar, é dever do médico oferecer o melhor cuidado possível.
"A gente não é obrigada a dar plantão. Todo plantão que você pega, você escolheu dar... E, quando você se dispõe a trabalhar e a atender uma pessoa, eu acho que você tem que atender aquela pessoa com toda a qualidade", ressaltou Emily Assis, unindo a explicação sobre as condições de trabalho a um forte apelo ético.
O relato da médica Emily Assis joga luz sobre as condições precárias e a sobrecarga enfrentada por muitos profissionais de saúde no interior do Brasil, onde a escassez de recursos e a alta demanda criam um cenário de trabalho extremamente desafiador. Sua fala vai além da queixa, servindo como um testemunho da dedicação necessária para manter o atendimento em regiões com pouca assistência.