Acre sanciona lei que permite internato de estudantes de medicina formados no exterior
Lei no Acre permite internato de estudantes de medicina do exterior

Acre sanciona lei que permite internato de estudantes de medicina formados no exterior

Uma legislação histórica foi sancionada pelo governador Gladson Camelí (PP) nesta sexta-feira (13), autorizando que estudantes brasileiros de medicina formados em universidades do exterior possam realizar seu internato obrigatório na rede pública de saúde do Acre. A medida, que ainda aguarda publicação no Diário Oficial do Estado, representa uma mudança significativa na formação médica no estado.

Detalhes da nova legislação

O projeto de lei, de autoria do deputado estadual Pablo Bregense (PSD), foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) no dia 10 de dezembro do ano passado. Em sua justificativa, o texto destaca a necessidade de otimizar a formação desses estudantes, garantir o aprimoramento da saúde pública local e atender à crescente demanda por profissionais de saúde no estado.

Atualmente, muitos estudantes brasileiros buscam formação médica em instituições estrangeiras devido à limitação de vagas nos cursos de medicina no Brasil. Essa situação ocorre em função da alta competitividade para ingresso nas universidades públicas e do elevado custo das mensalidades nas instituições privadas brasileiras.

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Conforme explicado no projeto, muitos desses estudantes se formam e desejam retornar ao Brasil para realizar o internato, componente obrigatório para a conclusão do curso e para a obtenção do título de médico. A nova lei busca criar um caminho regulamentado para esse processo no Acre.

Próximos passos e regulamentação

Após a sanção e publicação da nova lei, será necessária a regulamentação no prazo de 90 dias pelo governo do estado. Essa regulamentação definirá as regras específicas e os procedimentos para o recebimento dos médicos em formação na rede pública acreana.

Durante a solenidade de assinatura, o governador Gladson Camelí afirmou: "Estamos interessados em promover o bem-estar do nosso povo e valorizar o conhecimento dos nossos profissionais". A declaração reforça o objetivo da medida de fortalecer o sistema de saúde local enquanto oferece oportunidades de formação para estudantes brasileiros.

Posicionamento contrário do Conselho Regional de Medicina

Em contraste com a nova legislação, o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) mantém uma posição contrária à realização de internatos por estudantes de medicina de universidades estrangeiras. Em 2025, a presidência do CRM-AC recomendou à Secretaria de Saúde do Acre que não autorizasse essa modalidade.

Segundo a então presidente Leuda Dávalos, a proposta de proibir esses internatos atende à legislação vigente e visa proteger a população de práticas médicas irregulares. Um documento publicado pela instituição em abril do ano passado orienta médicos, secretários de saúde e diretores de estabelecimentos de saúde a não permitirem a realização de estágio ou internato desses estudantes.

O artigo 2º da recomendação do CRM-AC estabelece que "em caso de descumprimento desta recomendação, os médicos inscritos neste Conselho, informem imediatamente o CRM-AC, para fins de responsabilização ética, civil e criminal, nos termos da legislação vigente".

Exigência de convênios oficiais

De acordo com a publicação do CRM-AC, que atendeu a uma solicitação do Ministério Público Estadual (MP-AC), a prática de estágios e internatos por esses estudantes só é permitida mediante convênios oficiais entre universidades do exterior e instituições de ensino e saúde brasileiras.

A presidente do conselho destacou que "a gente não tem como permitir que isso aconteça, já que pode afetar diretamente a sociedade. E uma das grandes atribuições do conselho é zelar pela ética médica". Ela acrescentou que o conselho vem há muito tempo fazendo orientação pedagógica sobre a ilegalidade dessa prática na ausência de convênios formais.

A recomendação deixa claro que, na ausência desses convênios oficiais, estágios e internatos de alunos estrangeiros não podem ser realizados em solo acreano. Esta posição cria um cenário de tensão entre a nova legislação estadual e as orientações do órgão regulador da profissão médica.

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Contexto nacional e local

O debate sobre a validação de diplomas médicos obtidos no exterior não é novo no Brasil. Recentemente, mais de 300 médicos formados no exterior conseguiram validar seus diplomas na Universidade Federal do Acre, demonstrando a demanda existente por esse tipo de reconhecimento.

No entanto, a Justiça já tornou sem efeito uma lei anterior que permitia a contratação de médicos formados no exterior sem a necessidade do Revalida (Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira).

A nova lei sancionada pelo governador Camelí representa uma tentativa de criar um caminho legal e regulamentado para que estudantes brasileiros formados no exterior possam completar sua formação médica no Acre, enquanto contribuem para o sistema de saúde local durante seu período de internato.