Familiares e amigos se reuniram em Manaus para uma missa em memória de Benício Xavier de Freitas, marcando os 30 dias de sua morte. O menino, que completaria 7 anos no dia de Natal, 25 de dezembro, faleceu após um suposto erro na administração de adrenalina em um hospital particular da capital amazonense.
Erro médico e a luta por justiça
Benício deu entrada no Hospital Santa Júlia na noite do dia 23 de novembro, com tosse seca e suspeita de laringite. Segundo relatos da família, houve um equívoco grave durante o atendimento. A médica Juliana Brasil Santos prescreveu adrenalina por via intravenosa, e a técnica de enfermagem Raíza Bentes aplicou a medicação.
O pai, Bruno Freitas, contou que a família questionou a prescrição e a forma de aplicação no momento. Logo após a primeira dose, o estado de Benício piorou drasticamente. A criança foi levada para a sala vermelha, teve uma queda acentuada na oxigenação e precisou ser transferida para a UTI.
Durante o processo de intubação, o menino sofreu paradas cardíacas e não resistiu. Ele morreu às 2h55 do dia 24 de novembro. A Polícia Civil do Amazonas investiga o caso como homicídio, e o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) também realiza apurações.
Justiça mantém decisão e impõe restrições
Na mesma semana em que Benício completaria aniversário, a Justiça do Amazonas negou, pela segunda vez, o pedido de prisão preventiva da médica e da técnica de enfermagem. O novo pedido foi feito pelo delegado Marcelo Martins no dia 21 de dezembro e analisado pelo juiz de plantão Luiz Carlos Valois.
O magistrado entendeu que as medidas cautelares já impostas são suficientes para garantir a ordem pública e o andamento das investigações. Em decisão anterior, no dia 16 de dezembro, o juiz Fábio Olintho de Souza também havia negado a prisão e determinado uma série de restrições às investigadas:
- Suspensão do exercício profissional por 12 meses, com possibilidade de prorrogação.
- Comparecimento mensal em juízo para informar e justificar atividades.
- Proibição de se ausentar da Região Metropolitana de Manaus sem autorização judicial.
- Obrigação de manter distância mínima de 200 metros da família da vítima e das testemunhas.
A Polícia Civil também apreendeu o celular da médica, documentos e um carimbo que indicava especialidade em pediatria, embora ela não possua o título oficialmente reconhecido.
A dor da família e o apelo por justiça
Durante a missa do 30º dia, realizada em um momento que deveria ser de celebração do aniversário e do Natal, a família e amigos cobraram justiça. “A luta continua”, foi a mensagem reforçada pelos presentes.
Bruno Freitas, pai de Benício, declarou que a família confia que as investigações terão desdobramentos nas esferas penal, cível e ético-profissional. “Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. Não desejamos essa dor para ninguém”, afirmou.
O caso segue sob investigação, e as profissionais envolvidas permanecem afastadas de suas funções, aguardando os próximos capítulos de um processo que tenta dar resposta à tragédia que interrompeu a vida de um menino de quase 7 anos.