Um estudo científico traz uma nova perspectiva para os cuidados com a pele, sugerindo que o caminho para uma cútis mais saudável e renovada pode estar mais no prato do que no potinho do creme. Pesquisadores da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, descobriram que aumentar o consumo de alimentos ricos em vitamina C, como o kiwi, eleva significativamente a presença do nutriente na pele e está associado a melhorias visíveis na sua estrutura e na renovação das células.
Vitamina C da dieta chega diretamente à pele
A pesquisa, publicada no renomado Journal of Investigative Dermatology, tinha como objetivo principal entender como a vitamina C que ingerimos se relaciona com os níveis encontrados nas diferentes camadas da pele. Até então, embora se soubesse do papel crucial do nutriente na produção de colágeno, faltavam evidências diretas sobre essa conexão alimentação-pele em humanos.
Os cientistas, liderados pela professora Margreet Vissers, analisaram amostras de sangue e pele de participantes saudáveis. Eles observaram que a vitamina C está presente em toda a extensão da pele, mas de forma desigual. A camada mais externa, a epiderme, concentra mais do nutriente. No entanto, quando analisada célula por célula, a concentração é maior justamente nas células das camadas mais profundas, que são as responsáveis pela produção de colágeno e pela firmeza do tecido.
"Ficamos surpresos com a forte correlação entre os níveis de vitamina C no sangue e os da pele – essa correlação foi muito mais acentuada do que em qualquer outro órgão que já investigamos", afirmou Vissers. Segundo ela, a pele é extremamente eficiente em captar a vitamina C diretamente da corrente sanguínea, um caminho mais natural e eficaz do que a aplicação tópica em muitos casos.
Dois kiwis por dia fazem a diferença
Para testar o efeito prático da dieta, os pesquisadores conduziram uma segunda fase do estudo. Participantes com níveis baixos ou intermediários de vitamina C no sangue foram orientados a consumir dois kiwis por dia durante oito semanas. Essa quantidade fornece aproximadamente 250 mg de vitamina C diariamente, considerada suficiente para atingir níveis adequados no organismo.
Os resultados, divulgados em 5 de janeiro de 2026, foram expressivos. Após o período, os níveis de vitamina C no sangue dos voluntários atingiram patamares ideais. O mais importante: esse aumento se refletiu diretamente na pele.
A análise das amostras de tecido cutâneo mostrou um aumento na quantidade do nutriente tanto na superfície quanto nas camadas internas. Os indicadores de melhora foram concretos:
- Aumento de quase 50% na densidade da pele, medido por ultrassom.
- Aceleração de 30% na taxa de renovação celular da camada mais superficial.
Esses sinais sugerem uma pele mais firme, estruturada e ativa, possivelmente devido a uma maior disponibilidade de vitamina C para a síntese de proteínas de sustentação.
Ressalvas e limites do estudo
Apesar dos achados promissores, os próprios autores pedem cautela na interpretação. O estudo foi realizado com um número relativamente pequeno de participantes, todos adultos saudáveis. Portanto, não é possível garantir que os mesmos efeitos ocorreriam em idosos, pessoas com doenças de pele ou deficiências nutricionais severas.
Outro ponto é que a pesquisa durou apenas oito semanas, um período curto para avaliar impactos de longo prazo no envelhecimento cutâneo. Além disso, os pesquisadores não conseguiram medir um aumento direto no colágeno tipo I, o principal da pele. As conclusões sobre firmeza são baseadas em indicadores indiretos, como a densidade ao ultrassom e a atividade celular.
Os cientistas também enfatizam que "mais nem sempre é melhor". O organismo tem um limite de aproveitamento da vitamina C. Uma vez que os níveis sanguíneos atingem um patamar adequado, o excesso é eliminado e não se traduz em benefícios adicionais para a pele. Isso reforça que, para a maioria das pessoas, uma alimentação equilibrada é suficiente.
Kiwi é uma opção, mas não a única
Embora o estudo tenha usado o kiwi pela sua alta concentração de vitamina C, os pesquisadores são claros ao afirmar que benefícios similares são esperados com o consumo de outros alimentos ricos no nutriente. A lista inclui:
- Frutas cítricas (laranja, limão, tangerina)
- Frutas vermelhas (morango, amora, framboesa)
- Pimentões (especialmente o amarelo e o vermelho)
- Brócolis e outras verduras verde-escuras
A mensagem final do trabalho é que investir em uma dieta rica em vitamina C é uma estratégia eficaz e natural para cuidar da saúde da pele de dentro para fora, complementando os cuidados tópicos. A pele prioriza a absorção do nutriente vindo do sangue, tornando a alimentação uma poderosa aliada da beleza e da saúde cutânea.