Obesidade eleva biomarcadores do Alzheimer em 95% em 5 anos, revela estudo
Obesidade aumenta risco de Alzheimer, mostra pesquisa

Um estudo recente apresentado no congresso anual da Sociedade Radiológica da América do Norte trouxe novas evidências sobre como a obesidade pode acelerar o desenvolvimento do Alzheimer ao longo dos anos. A pesquisa indica que o excesso de peso pode ampliar significativamente a concentração de biomarcadores associados à demência.

Relação perigosa ao longo do tempo

A conexão entre obesidade e risco aumentado para Alzheimer já era conhecida pela literatura médica, mas o novo trabalho trouxe dados concretos sobre a progressão desse processo. Raphael Machado de Castilhos, membro do Departamento Científico de Cognição e Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), confirma que pessoas com obesidade entre 40 e 60 anos têm maior probabilidade de desenvolver demência em idades mais avançadas.

A investigação acompanhou 407 pacientes com idade média de 72 anos por um período de cinco anos. Inicialmente, os pesquisadores mediram o Índice de Massa Corporal (IMC) dos participantes e avaliaram biomarcadores do Alzheimer através de dois métodos principais: tomografia por emissão de pósitrons (PET) para medir acúmulo de proteína amiloide no cérebro e testes sanguíneos para dosar indicadores da demência.

Aceleração alarmante nos biomarcadores

No começo do estudo, não foi observada uma correlação direta entre obesidade e presença elevada dos biomarcadores. Contudo, a situação mudou drasticamente após o acompanhamento de cinco anos. Os participantes que já apresentavam obesidade no início da pesquisa tiveram um aumento muito mais acentuado nos índices de concentração de amiloides em comparação com o grupo sem peso excessivo.

Os dados são preocupantes: em alguns casos, essa aceleração no índice dos biomarcadores chegou a ser 95% maior nos pacientes com obesidade. Esse resultado foi particularmente evidente nos dados coletados através da tomografia cerebral, enquanto os testes sanguíneos apresentaram resultados menos consistentes.

Implicações para prevenção e tratamento

Os resultados sugerem que o controle do peso pode ser uma estratégia crucial para reduzir os riscos de desenvolver Alzheimer. Cyrus Raji, da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis, nos Estados Unidos, e um dos responsáveis pela pesquisa, destaca uma implicação promissora do estudo.

"Ao reconhecermos que existem tratamentos cada vez mais eficazes para reverter os efeitos da obesidade, existe o potencial de utilizarmos remédios anti-obesidade para reduzir o risco de doença de Alzheimer", afirmou Raji. Isso abre caminho para que futuras pesquisas investiguem se medicamentos para controle de peso podem também ajudar na prevenção de demências.

Limitações e fatores de risco associados

Castilhos, que não participou diretamente da pesquisa, aponta uma importante limitação do estudo: os resultados não foram controlados para outros fatores de risco que frequentemente acompanham a obesidade, como hipertensão e diabetes.

"As pessoas com obesidade também têm outros fatores de risco que vêm junto com essa condição. Esses outros fatores poderiam explicar o acúmulo de betamiloide e, nesse caso, não ocorreria necessariamente por causa da obesidade", explica o neurologista. Portanto, são necessárias mais investigações para entender completamente essa relação complexa.

O estudo reforça a importância do controle do peso como parte de uma estratégia mais ampla de saúde cerebral, especialmente a partir da meia-idade. Enquanto a ciência avança na compreensão desses mecanismos, manter um peso saudável continua sendo uma recomendação médica fundamental para a saúde geral e, cada vez mais, para a saúde do cérebro.