A secretaria de saúde do Rio Grande do Norte, por meio do secretário Alexandre Motta, informou nesta terça-feira (26) que os exames realizados em uma menina de 10 anos, que estava internada em Natal com suspeita de contaminação pelo detergente da marca Ypê, não confirmaram a presença do produto como causa dos sintomas. Segundo o secretário, os testes indicaram um quadro de eritema infeccioso, uma infecção viral causada pelo parvovírus. A criança recebeu alta hospitalar no dia 20 de maio.
Detalhes do caso
A menina foi internada no dia 11 de maio após apresentar coceira, falta de ar e manchas pelo corpo. A família informou que ela havia usado um detergente e tinha um corte na mão, o que levantou a suspeita de contaminação. Em 8 de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia determinado o recolhimento de produtos de limpeza da Ypê do lote 1, o mesmo utilizado pela criança, por risco de contaminação por micro-organismos.
Diagnóstico descarta contaminação
O secretário Alexandre Motta, que também é médico infectologista, explicou que a criança apresentava sintomas de um quadro infeccioso a esclarecer. Foram realizadas sorologias para identificar possíveis doenças infecciosas virais, e uma delas deu positivo para eritema infeccioso, também conhecido como parvovírus. Segundo ele, os exames e as características do quadro de saúde da menina não são compatíveis com uma contaminação pelo detergente.
“Se fosse pela contaminação bacteriana, a criança teria desenvolvido sepse, pois a porta de entrada teria sido a pele. Mas ela não apresentou esse quadro, o que levou as equipes a investigar outras possibilidades, inclusive infecções virais”, afirmou Motta. Ele reforçou que, neste caso específico, a contaminação pelo detergente não se confirmou.
O que é eritema infeccioso
O eritema infeccioso é uma doença viral transmitida por via respiratória, mais comum em crianças. O quadro se assemelha à rubéola, mas com algumas diferenças. Pode representar risco para pessoas com baixa imunidade, como pacientes com câncer avançado, e para mulheres grávidas, devido ao risco de abortamento.
Investigação sobre o detergente
Sobre o detergente utilizado pela menina, o secretário informou que, como o produto já estava aberto, o laboratório estadual de saúde não realiza testes nele, pois pode ter havido contaminação após a abertura. Os produtos fechados do lote 1 da Ypê foram recolhidos dos mercados por determinação da Anvisa. A marca Ypê foi procurada, mas não se pronunciou sobre o caso.
Histórico da internação
A menina deu entrada no hospital no dia 11 de maio, após uma semana de sintomas. O padrinho da criança, Alisson da Silva, relatou que ela começou com coceira, seguida de dificuldade para respirar e para andar. A família relacionou o caso ao detergente após a divulgação da suspensão das vendas do lote 1 da Ypê. A menina teve cinco atendimentos hospitalares antes da internação definitiva.
“A gente começou a suspeitar porque ela estava com um pequeno corte na mão e usou o detergente. A Anvisa já havia alertado sobre a bactéria, e minha afilhada começou a apresentar sintomas. Parecia ser do sabão”, afirmou o padrinho.



