Uma descoberta arqueológica na China pode reescrever a história da medicina. Instrumentos cirúrgicos com cerca de 600 anos, da Dinastia Ming, foram encontrados com traços de um composto anestésico, indicando que médicos da época já dominavam técnicas para aliviar a dor durante procedimentos.
O achado arqueológico
Pesquisadores da Universidade Northwest, na China, escavaram uma tumba a 150 quilômetros de Xangai, onde encontraram utensílios cirúrgicos de ferro. Na superfície de um instrumento semelhante a uma tesoura, foi identificado um composto vermelho desconhecido. Análises químicas revelaram que se tratava de uma mistura de aconitina, gorduras e óleos.
A aconitina e o acônito
A aconitina é uma substância extremamente tóxica encontrada no acônito, uma planta venenosa nativa da América do Norte, Europa e Ásia. Apesar de sua toxicidade, a planta era utilizada na medicina tradicional asiática por suas propriedades analgésicas. Os médicos da Dinastia Ming sabiam como neutralizar o veneno usando substâncias ácidas, como feijão mungo, vinagre ou urina, transformando o acônito em um anestésico seguro.
Implicações para a história da anestesia
Até o século 19, cirurgias eram extremamente dolorosas, e a anestesia moderna só surgiu em meados daquele século. No entanto, esta descoberta sugere que o uso de anestésicos em cirurgias é muito mais antigo. Os médicos da Dinastia Ming controlavam a toxicidade da aconitina aplicando o composto diretamente em áreas específicas da pele e seguindo prescrições rigorosas.
De acordo com Congcang Zhao, coautor do estudo, os instrumentos de ferro eram usados em procedimentos cirúrgicos menores, e o conhecimento sobre a dosagem e aplicação da aconitina era avançado para a época.
Publicação e relevância
O estudo foi publicado na revista Antiquity e é a primeira evidência química de anestésicos em instrumentos cirúrgicos antigos. Essa descoberta muda a data reconhecida para os primeiros usos de anestesia, antecipando-a em séculos.



