Musk eleva preço de internet de drones dos EUA na guerra contra o Irã
Musk eleva preço de internet de drones dos EUA no Irã

A SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, elevou em até cinco vezes o custo do serviço de internet via satélite Starlink utilizado por drones militares dos Estados Unidos durante a guerra contra o Irã. A informação foi divulgada pela agência Reuters nesta terça-feira, 26 de maio, e provocou atritos com o Pentágono, expondo a dependência americana da rede controlada por Musk, um antigo aliado do presidente Donald Trump.

Aumento de preço e impacto nos drones

De acordo com a Reuters, o impasse começou após o início da campanha militar americana contra o Irã, em 28 de fevereiro. Executivos da SpaceX argumentaram que as Forças Armadas americanas estavam pagando menos do que deveriam pelo uso militar da Starlink em drones de ataque LUCAS, um modelo de baixo custo comparável aos drones Shahed utilizados pelo Irã. Até então, o governo americano pagava cerca de 5 mil dólares (mais de R$ 25 mil) por conexão de terminal. A SpaceX, no entanto, alegou que a operação militar exigia um serviço mais sofisticado, equivalente a um plano voltado para aviação, e elevou o valor para aproximadamente 25 mil dólares (cerca de R$ 126 mil) por terminal.

Autoridades americanas chegaram a argumentar que a cobrança mais alta havia sido criada para aeronaves convencionais, não para drones kamikazes que utilizavam conexão via satélite por períodos curtos. Apesar das objeções, o Departamento de Defesa acabou aceitando o reajuste. Segundo documentos revisados pela Reuters, a mudança quase dobrou o custo operacional de cada unidade do drone LUCAS, que inicialmente custava cerca de 30 mil dólares (aproximadamente R$ 151 mil) por equipamento.

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Dependência crescente da Starlink

Desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, a Starlink tornou-se peça central da guerra moderna, permitindo comunicação segura, transmissão de dados e coordenação de operações em regiões remotas. A tecnologia é usada em drones de ataque, embarcações não tripuladas, sistemas de vigilância e equipamentos militares em ambientes sem infraestrutura tradicional de telecomunicações. Atualmente, a SpaceX opera uma constelação de aproximadamente 10 mil satélites — mais de 60% dos equipamentos ativos em órbita — superando concorrentes como OneWeb e o projeto de internet via satélite da Amazon.

Para o Pentágono, a empresa mantém ainda um sistema específico voltado à defesa, chamado Starshield, criado em acordo firmado em 2023. A estrutura combina satélites comerciais da Starlink com uma rede mais protegida para operações militares. Segundo documentos financeiros citados pela Reuters, cerca de 20% da receita da SpaceX vem do governo americano. No entanto, a empresa ocupa uma posição incomum entre fornecedoras militares, pois não depende exclusivamente de contratos públicos, sustentando seu crescimento também em mercados comerciais bilionários.

Internet no Irã e negociações

Os atritos entre Pentágono e SpaceX não se limitaram aos drones militares. Autoridades americanas também negociaram com a empresa um plano para oferecer internet diretamente a celulares de cidadãos iranianos, como forma de contornar bloqueios de comunicação impostos pelo governo do Irã. A proposta ganhou força após autoridades iranianas confiscarem terminais Starlink que haviam entrado no país e ampliarem o uso de equipamentos de interferência de sinal.

A tecnologia discutida permitiria conexão semelhante a uma rede 5G, dispensando antenas físicas instaladas em solo. Segundo documentos revisados pela Reuters, a SpaceX propôs cobrar até 500 milhões de dólares (R$ 2,5 bilhões) para implementar o sistema, além de uma taxa operacional mensal de 100 milhões de dólares (R$ 504 milhões). A agência não conseguiu confirmar se houve acordo.

Musk nega e Pentágono rebate

Elon Musk contestou as informações em publicação no X (antigo Twitter), rede social da qual é dono. O bilionário classificou o conteúdo como “falso”, sem detalhar quais pontos contestava. Afirmou também que o sistema civil da Starlink teria sido usado inadequadamente para fins militares e reforçou que existe uma rede separada, a Starshield, voltada especificamente para operações do governo americano.

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O Pentágono também rebateu partes da reportagem, mas não comentou diretamente os valores cobrados pela SpaceX. Em nota, o Departamento de Defesa afirmou que busca ampliar a concorrência no mercado de comunicação via satélite.