Uma infecção ocular grave e muitas vezes subdiagnosticada está colocando em risco a visão de milhares de pessoas que utilizam lentes de contato em todo o mundo. A ceratite por Acanthamoeba, causada por uma ameba microscópica, pode levar a danos irreversíveis na córnea e até à cegueira permanente se não for tratada a tempo.
O que é a ceratite por Acanthamoeba e quais são os sintomas?
Esta condição rara é provocada por um protozoário do gênero Acanthamoeba, que ataca agressivamente a córnea, a camada transparente na frente do olho. A infecção está frequentemente associada ao uso de lentes de contato, especialmente quando os hábitos de higiene não são os ideais.
Os principais sinais de alerta incluem vermelhidão ocular persistente, uma dor intensa e muitas vezes desproporcional ao que se vê no exame, visão embaçada ou turva e aumento da sensibilidade à luz (fotofobia). A identificação precoce é um desafio, pois os sintomas podem se assemelhar aos de outras infecções oculares mais comuns.
Um problema global subnotificado
Dados compilados pela Associação Americana de Optometria, com base em informações de 2023 de 20 países, incluindo Brasil, Canadá, Reino Unido, Índia e Estados Unidos, revelam uma estatística alarmante: mais de 23 mil casos são registrados anualmente em todo o mundo.
No entanto, especialistas fazem um alerta crucial: o número real de ocorrências provavelmente é muito maior. Muitos casos não são diagnosticados corretamente, sendo confundidos com outras formas de ceratite, o que atrasa o início do tratamento adequado e agrava o prognóstico.
Tratamento difícil e consequências devastadoras
O combate à ceratite por Acanthamoeba é longo e desafiador. O tratamento pode se estender por vários meses e envolve a aplicação frequente de colírios específicos, que nem sempre estão amplamente disponíveis. Em situações mais graves, pode ser necessário recorrer a um transplante de córnea.
Quando o diagnóstico é tardio, os danos à córnea podem ser irreversíveis, resultando em perda permanente da visão. Além do impacto físico, a cegueira ou a deficiência visual severa afetam profundamente a qualidade de vida, podendo levar a sentimentos de solidão, isolamento social, ansiedade e medo.
A principal medida de prevenção está diretamente ligada à forma como se manuseiam as lentes de contato. A higienização inadequada é apontada como o fator de risco mais significativo em muitos casos. Isso inclui usar água da torneira para lavar as lentes ou estojo, nadar ou tomar banho com as lentes colocadas e não seguir os protocolos de desinfecção recomendados pelos fabricantes e profissionais de saúde ocular.
Os olhos são órgãos sensíveis e vitais para a interação com o mundo. Protegê-los requer cuidados simples, mas essenciais, especialmente para os mais de 150 milhões de usuários de lentes de contato no planeta. A atenção aos sintomas e a rigorosa prática de higiene são as melhores defesas contra esta infecção silenciosa e potencialmente devastadora.